talvez eu não seja o tipo de pessoa que as pessoas realmente se aproximam.
talvez.
26/04/2010
12/04/2010
Para não cair na mesmisse
"As minhas verdades me bastam, mesmo sendo mentiras. Não é mais tempo de reconstruir".
Caio Fernando Abreu, in Inventário do Ir-remediável.
Caio Fernando Abreu, in Inventário do Ir-remediável.
25/03/2010
Por que escrever?
Diz-me, por que escrever?
Que falta de sentido, ou que sentido há na falta?
Imaginações lunáticas,
Sensações falsas..
Responde-me com uma só palavra, por que escrever? Qual o sentido?
[...]
Que falta de sentido, ou que sentido há na falta?
Imaginações lunáticas,
Sensações falsas..
Responde-me com uma só palavra, por que escrever? Qual o sentido?
[...]
30/09/2009
vou chover, de novo... deu na TV
faz tanto tempo que não escrevo que não sei mais começar a escrever.
virou pó.
anestesia.
escrever era a possibilidade de ser alguém que não eu mesma. escrevendo ia me tornando várias pessoas ao mesmo tempo. escrevendo ia me rejeitando, me amando, me transformando.
mas, [.....] não sei se escrever me faz tão bem quanto fazia. agora só resta essa coisa seca dentro. agora só resta essa sensação de que a minha nobreza, tão respeitada e admirada, não passa de ilusão. de mentira. de sensação.
quem sabe algum dia eu tenho uma impressão boa das coisas ao redor. quem sabe um dia as coisas possam fazer o mínimo de sentido, ou quem sabe as coisas um dia possam criar campos de experiências ao meu redor e ao redor dos outros.
quem sabe não seja nada. quem sabe a não-escrita também seja escrita, já que significa alguma coisa, mas não pode ser dita. como sempre, quem sabe. quem me conhece sabe que eu sou esse tipo de pessoa que gosta de falar com silêncios, ou de silêncios falar.
talvez esse momento, talvez esse blog, talvez essa sincronia cotidiana não faça mais nenhum sentido para mim. talvez eu tenha que mudar, talvez eu tenha que escolher, e talvez eu tenha que ir embora....
ir embora de mim....e dos outros.
virou pó.
anestesia.
escrever era a possibilidade de ser alguém que não eu mesma. escrevendo ia me tornando várias pessoas ao mesmo tempo. escrevendo ia me rejeitando, me amando, me transformando.
mas, [.....] não sei se escrever me faz tão bem quanto fazia. agora só resta essa coisa seca dentro. agora só resta essa sensação de que a minha nobreza, tão respeitada e admirada, não passa de ilusão. de mentira. de sensação.
quem sabe algum dia eu tenho uma impressão boa das coisas ao redor. quem sabe um dia as coisas possam fazer o mínimo de sentido, ou quem sabe as coisas um dia possam criar campos de experiências ao meu redor e ao redor dos outros.
quem sabe não seja nada. quem sabe a não-escrita também seja escrita, já que significa alguma coisa, mas não pode ser dita. como sempre, quem sabe. quem me conhece sabe que eu sou esse tipo de pessoa que gosta de falar com silêncios, ou de silêncios falar.
talvez esse momento, talvez esse blog, talvez essa sincronia cotidiana não faça mais nenhum sentido para mim. talvez eu tenha que mudar, talvez eu tenha que escolher, e talvez eu tenha que ir embora....
ir embora de mim....e dos outros.
12/08/2009
Momento de desespero
Achei que tinha esquecido o nome do usuário e minha senha desse blog. Deus, que medo agora. Ainda bem que lembrei!
Ufa.. é isso, depois volto.
Ufa.. é isso, depois volto.
11/04/2009
O primeiro andar
Era uma dessas manhãs em que não se consegue suportar o brilho de viver. Acordar fazia sentido quando a luz intacta se transformava em cinza acabada. E então, acordavam. Eram dois garotos e uma garota, em meio a uma casa estranha. Eles tentavam suportar o brilho posterior, posterior, posterior, mas às vezes a claridade era tão grande que doía dentro, bem dentro assim.
A casa estava vazia e tinha poucas frestas de iluminação. Os buracos nas paredes e nos telhados eram olhos claros que circundavam a dimensão interior. Eles não acreditavam nas dimensões, mas tinham plena certeza que existiam andares.
O primeiro andar não existia, dizia a garota. Mas, o primeiro andar? Claro que o primeiro andar existia. E brilhava: era o que dizia os outros dois garotos. Todas as tardes eles iam ao primeiro andar, e encontravam lá um pequeno marinheiro flutuante. O marinheiro se chamava José Ubaldo, e ele havia saído das profundezas dos mares do atlântico em 1876. Claro, José Ubaldo não havia morrido, pois ele brilhava mais do que todas as frestas de claridade.
Os dois garotos e José Ubaldo conversavam todas as tardes, por volta das 17 hs. O marinheiro chamava os garotos de caminhantes. Uma vez, um dos garotos começou a querer deixar a casa e ser caminhante, mas a claridade lá fora destruía qualquer possibilidade de saída. Foi aí que o garoto perguntou ao marinheiro por que a luz doía tanto, e o marinheiro tentou explicar que talvez o que doesse não fosse a luz, mas os olhos que não estavam acostumados a ver. Às vezes basta saber enxergar.
Em uma tarde dessas, José Ubaldo contou-lhes uma história fascinante sobre um relógio que falava. Após isso, os garotos queriam tanto tanto o relógio falante que decidiram procurar por todos os andares da casa. Eles começaram pelo porão e foram até algum piso não inimaginado, mas aos poucos as dimensões foram se perdendo e eles já não conseguiram levar adiante a busca. A busca se chamou Marinheiro #174.
Aos poucos, a garota começou a ficar sozinha. Ela passava as manhãs, tardes e noites, refletindo sobre a posição dos azulejos da casa. Por vezes, elaborava modos de estruturar a casa, de forma a tentar desvendar o mistério das dimensões. Mas não, nada fazia sentido nas posições, dimensões, claridades [..] da casa. E ela não sabia como sair, e quando tentava, algo mais forte a impelia de volta.
Eles estavam presos. E talvez não existisse o primeiro andar, como também existisse. Talvez eles não estivessem, na verdade, presos. Talvez só acreditassem nas dimensões por pura solidão ou sentimento de desolação. Talvez tudo, talvez nada. Talvez você seja o marinheiro, e os dois garotos sejam a sua imaginação... ou talvez você seja a garota tentando desvendar o mistério das dimensões. Talvez você, talvez eles [...] Ou talvez nada disso: é só uma história escrita em uma manhã de sábado. É só uma história, é só uma história. Mas, talvez, [...] seja você fugindo do primeiro piso, ou tentando encontrar o relógio falante.
A casa estava vazia e tinha poucas frestas de iluminação. Os buracos nas paredes e nos telhados eram olhos claros que circundavam a dimensão interior. Eles não acreditavam nas dimensões, mas tinham plena certeza que existiam andares.
O primeiro andar não existia, dizia a garota. Mas, o primeiro andar? Claro que o primeiro andar existia. E brilhava: era o que dizia os outros dois garotos. Todas as tardes eles iam ao primeiro andar, e encontravam lá um pequeno marinheiro flutuante. O marinheiro se chamava José Ubaldo, e ele havia saído das profundezas dos mares do atlântico em 1876. Claro, José Ubaldo não havia morrido, pois ele brilhava mais do que todas as frestas de claridade.
Os dois garotos e José Ubaldo conversavam todas as tardes, por volta das 17 hs. O marinheiro chamava os garotos de caminhantes. Uma vez, um dos garotos começou a querer deixar a casa e ser caminhante, mas a claridade lá fora destruía qualquer possibilidade de saída. Foi aí que o garoto perguntou ao marinheiro por que a luz doía tanto, e o marinheiro tentou explicar que talvez o que doesse não fosse a luz, mas os olhos que não estavam acostumados a ver. Às vezes basta saber enxergar.
Em uma tarde dessas, José Ubaldo contou-lhes uma história fascinante sobre um relógio que falava. Após isso, os garotos queriam tanto tanto o relógio falante que decidiram procurar por todos os andares da casa. Eles começaram pelo porão e foram até algum piso não inimaginado, mas aos poucos as dimensões foram se perdendo e eles já não conseguiram levar adiante a busca. A busca se chamou Marinheiro #174.
Aos poucos, a garota começou a ficar sozinha. Ela passava as manhãs, tardes e noites, refletindo sobre a posição dos azulejos da casa. Por vezes, elaborava modos de estruturar a casa, de forma a tentar desvendar o mistério das dimensões. Mas não, nada fazia sentido nas posições, dimensões, claridades [..] da casa. E ela não sabia como sair, e quando tentava, algo mais forte a impelia de volta.
Eles estavam presos. E talvez não existisse o primeiro andar, como também existisse. Talvez eles não estivessem, na verdade, presos. Talvez só acreditassem nas dimensões por pura solidão ou sentimento de desolação. Talvez tudo, talvez nada. Talvez você seja o marinheiro, e os dois garotos sejam a sua imaginação... ou talvez você seja a garota tentando desvendar o mistério das dimensões. Talvez você, talvez eles [...] Ou talvez nada disso: é só uma história escrita em uma manhã de sábado. É só uma história, é só uma história. Mas, talvez, [...] seja você fugindo do primeiro piso, ou tentando encontrar o relógio falante.
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