28/12/2008
Chove em mim
Chove em mim e o que eu fui já não lembro mais. Todas as portas e janelas abertas foram fechadas pela ventania, e o que me restou foram apenas retratos. Retratos rasgados, queimados. Retratos esquecidos.
Chove em mim e eu quero ser alguém que não eu. Toda a minha sensibilidade aflorou, e eu já não consigo mais ver cor. Onde está o azul, amarelo, verde?
Chove em mim. Lava-me como se fosse a primeira vez nesse sábado escuro. Leva-me para qualquer lugar onde se possa supor, onde se possa lembrar, onde se possa enxergar.
Chove em mim em uma madrugada solitária. Chove nesse papel, me lava, me leva, me descobre, porque eu nada mais sou além desse papel molhado, desse papel esquecido.
Chove em mim e me ama, me aperta, me olha como se fosse a primeira e a única vez, mas chove em mim. Me leva para esse lugar que um dia acreditamos, me leva a acreditar, me leva a pensar, me leva a imaginar um para além de todas as coisas.
Me leva e me traz para esse reino encantado, onde você veste cores berrantes e eu sonho com o pôr-do-sol perfeito, com a magia de talvez poder amar.
Chove em mim pela primeira e pela última vez. Faz-me acreditar que eu ainda posso ser feliz, que eu vou lavar e levar de mim (em) mim toda a dor, toda a impossibilidade e a improbabilidade, toda a frustração, todos os poços, todas as lágrimas [...] Chove em mim agora [..] eu digo que não sei mais voltar, e você me diz que é melhor deixar o verão para mais tarde.
22/12/2008
15/12/2008
Given a chance, i’m gonna be somebody
A parte mais difícil de iniciar um texto é justamente essa: iniciar. Não se inicia um texto por acaso, não se começa a escrever achando que ninguém vai se importar. Talvez ninguém se importe mesmo, essa também é uma das partes mais difíceis. Talvez ninguém leia, ou talvez ninguém comente, mas pelo menos você tem a breve impressão de que existe alguém ali.
A parte mais difícil de viver é ter que ser reconhecido por alguém ou por algum grupo. Reconhecimento é algo vital, algo central, na vida de alguém. Não importa que tipo de reconhecimento: se de alguém a alguém, se de alguém em si mesmo, se de alguém em outros, mas deve haver reconhecimento.
Vocês não sabem como é difícil viver. Aliás, vocês sabem, porque vocês vivem. Mas, vocês não sabem o que é ter que dormir toda noite sozinha, ter que enfrentar o dia-a-dia sozinha, ter que estar só-em-si-só o tempo inteiro, porque ninguém vai estar lá por você, n-i-n-g-u-é-m. Isso não se chama solidão, eu acho. Isso é alguma coisa que eu não sei explicar, e que alguém só saberia entender se convivesse comigo nas mesmas situações, e vivesse praticamente as mesmas coisas.
Vocês não têm idéia. Vocês não sabem o que é viver em uma cidade completamente apática, uma cidade completamente repressora e reprimida. Ninguém saberia, eu acho. Ninguém sabe o que é viver em uma montanha russa que a qualquer momento vai soltar os pinos e tudo vai desabar.
Vocês não sabem que eu choro no banheiro, e só no banheiro, e nas outras vezes, eu choro digitando. Parece ridículo falar, mas eu só choro quando tenho tempo, isso: quando tenho tempo. Isso é ridículo.
Eu não sou ninguém e eu não tenho ninguém. E eu fico me perguntando qual é o motivo disso tudo e por que eu estou aqui agora. Qual o motivo? Existe algum sentido, senão... Eu fico me perguntando se a vida é essa espécie de dor intercalada com espaços de euforia e de paixão e de prazer e de alegria. Eu acho que eu começo a entender agora porque muitas pessoas buscam coisas alheias a si mesmas: acho que é porque é difícil encontrar algo verdadeiro nessa vida. É difícil encontrar algo pelo qual você acredite e queira lutar por isso. É difícil não pensar no futuro sem pensar no dinheiro. É difícil. É difícil. [...]
[...] Mas eu tento não me importar. Eu queria ser alguém, eu vou tentar ser alguém. Eu vou deixar minha marca no mundo de alguma forma, mesmo que sozinha – sem nada, e sem ninguém, mesmo que para isso eu tenha que sacrificar muito do que ainda restou em mim, mesmo que eu tenha que escrever palavras dolorosas e incomodas, mesmo que eu tenha que te fazer chorar. Eu só preciso de uma chance.
05/12/2008
21/11/2008
oh and she's always dressed in white
Mas não há recompensa alguma, não há alegria alguma se não essa que você inventa todos os dias. É tudo invenção, é tudo coisa da sua cabeça, é tudo imaginação. Felizes são esses que conseguem inventar tudo colorido ao seu redor. Que conseguem semear todas as coisas bonitas, que conseguem não ser mais um, mas ser um.
Felizes daqueles que dizem ser felizes, ou julgam ser felizes, inventam a felicidade. Tristes aqueles que não conseguem mais inventar prazer; e não inventando, o mundo colorido se torna dolorido.
Felizes daqueles que encontraram a sua diversão. Os outros; pobre mortais; tristes; deprimidos; coitados, talvez nunca tenham encontrado a sua diversão, ou já perderam há tempos. Felizes aqueles que tem um rosto para beijar na sexta-feira à noite; um cabelo para fazer carinho. Felizes aqueles que não se preocupam com nada disso. Felizes [...] Tristes, felizes, tristes.
De fato, eu preciso encontrar o meu prazer em algum lugar. Eu olho ao meu redor e não consigo achar graça em nada, é como se todo o colorido previamente se tornasse gélido. Oh, ela sempre veste branco, [...]
O problema é em achar problema estar sozinho. O problema é não aceitar, não entender e não refletir o estar sozinho. O problema é que dói, e uma vez doído [...] já não se tem mais saída. Caminho sem volta.
O problema talvez seja achar problemas.
O problema talvez seja não se comprometer consigo mesmo.
Problema, problema [....] achar que tudo está se despeçando ao seu redor e que nada mais tem solução.
O problema pode ser o olhar [...] porque se a realidade te alimenta com merda, a mente pode te alimentar com flores, colega.
02/11/2008
Enough?
11/10/2008
#60: notas de uma romântica suburbana
10/10/2008
Even so,
Nos últimos dias tenho ouvido sempre a mesma coisa: "as pessoas que não pensam, que simplesmente não pensam, são as mais felizes". Não sei se essa é a minha felicidade, mas me sinto, no mínimo, fora-do-centro.
Vemos na faculdade o quanto certas pessoas, "sujeitos", "indivíduos", estão fora da norma aceita, fora do que se chama de normal. O não-normal então se torna "anormal", "esquisito", "louco", ou "doido": elas não podem, nem devem, se ocupar do meio social.
A rua, essa que passamos todos os nossos dias velozes, que temos medo, que apenas passamos, sem permanecer; se tornou não uma forma de existência, mas sim uma forma de ponte, passagem, não-estado.
Não estamos, e ainda julgamos estar. Não sentimos, e ainda julgamos sentir. Não somos, mesmo que suponhamos ser. Na verdade, eu não acredito em nada do que eles, ou vocês, ou até mesmo do que eu falo: não acredite, eles estão gravando e usando todas as formas de alienação (no estado de não ser). Eles estão te tirando de ti mesma. Eles não são eles, mesmo que afirmem que 2+2=4.
Pois não. Fico me perguntando porque 2+2=4, e não 2+2=5. Que tipo de lógica estamos submetidos, ou que tipo de lógica estamos nos deixando submeter? Toda hora estamos fingindo passividade quando na verdade tudo é ação - não no sentido matemático ou físico - mas no sentido filosófico da palavra.
Não adianta dizer que estou filosofando, que estou usando da destruição um meio de tentar abolir tudo e todos. Não adianta dizer que sabe e que entende, porque é bem mais do que isso, e... porque no fundo todo mundo quer ser igual.
O que eu sou? A diferença. O que eu quero ser? Eu quero ser igual, quero ter amigos e eu quero viver esse social. Por que é tão difícil ser diferente? Por que a diferença incomoda? Por que pensar incomoda?
Não, não fui eu que disse que sou a diferença. Foi uma criança de 12 anos que há mais de dois anos vai ao CAPS, que toma remédios para "superar" a diferença, e ainda diz, suavemente, que queria ser igual.
Um dia eu quis dizer e eu sempre vou dizer, um dia eu quis pensar, e uma vez pensado, me perdi no caminho e não sei voltar mais. Entreguei-me ao pecado de pensar, e agora já não sei mais me livrar, tornou vício.
Eu não quis ligar pras conseqüências reforçadoras ou não do meu pensar, eu só quis pensar e achar que de alguma forma seria diferente. Que seria diferente pensar no diferente. Que seria diferente pensar em mim. Que seria diferente todas as coisas [...] desde os primórdios até essa sacanagem ambulante de não-ser-não-estar-não-viver: amenizar.
Não sei amenizar: "sou toda coração, em todas as partes pulso."
28/09/2008
Back to the normal life.
23/09/2008
sometimes i could cry for miles, but..

Porque parte de mim pede sim.
Ensaio sobre a Cegueira.
05/09/2008
Ser multidão ou não fazer parte de algo?

Mundo fantasma. Mundo fantasma! Mundo, mundo, mundo fantasma! Parece ridículo, muito ridículo isso que eu estou falando, mas não me sinto parte de algo. Eu não me sinto parte de algo quando estou fora do meu quarto. Eu não me sinto parte de algo quando subo aqueles degraus e sigo em direção aquela sala onde "superficialmente" as pessoas debatem. Eu não me sinto, e por não me sentir, talvez, quase sempre ou sempre, as pessoas possam rir de mim.
Riam de mim, seus malvados, porque eu sou a dama da noite, sim, aquela, que talvez um dia quem sabe Caio F. escreveu. Riam de mim, mundo fantasma, mundo hipócrita, mundo falso! O quê? Vocês estão me dizendo que estão realizando uma formação c-r-í-t-i-c-a? Oh what! What a fuck, que porcaria de formação vocês estão fazendo? "Pegue um dinheiro e seja feliz, querida". Sim, eu pego um dinheiro porque é inevitável fazer parte do consumismo capitalista, não posso ser ridícula ao falar que não [...] mas daí fazer de mim uma reprodução de idéias, reprodução de vestimentas, reprodução de palavras, s-i-m-p-l-e-s cópia? Não, querida, ria de mim, nas minhas costas, na minha frente, ao meu lado, ria de mim! [...] Não sou eu que vou mendigar palavras, não sou eu que vou viver de mentiras.
[Desabafo]
Pronto, terminei. Agora estou mais aliviada e posso falar um pouco sobre essa explanação. De fato, estou um pouco decepcionada com o desandar da minha formação acadêmica por causa de certas pessoas que não estão querendo problematizar as questões.
Veja bem, eu sou sim uma egoísta que só pensa em mim, porque não sei, não consigo, não sinto, não me sinto parte disso. Posso estar sendo radical, não nego e nem preciso dizer que não sou radical, porque quando os pobres coitados dizem isso [...] ah mundo, eles não sabem o que querem dizer. Se ao menos soubessem que radical se refere aquele que vai à raiz, a origem.
Posso até estar desmerecendo o conhecimento dos outros, mas não ligo, que se foda você e seu mundinho, não ligo mesmo, eu não sou multidão, eu não quero ganhar 4.000 por mês e sentir que estou cumprindo o meu dever, colega.
Algum dia, quem sabe, talvez, você vai abrir seus olhos e conhecer a outra parte do mundo. Não faço parte disso, não gosto disso, não suporto isso e nunca vou suportar, apesar de aceitar e respeitar esse mundo fantasma. Aceito e respeito, mas não gosto nem suporto.
E chega. Chega, digo mais uma vez chega! Chega de falsos moralismos, companheirismos e palavras do tipo: somos todos unidos.
[Estou desabafando novamente]
Ok, parei. Então, como ia dizendo, estou meio decepcionada, mas eu sei que isso sempre vai acontecer. Abaixando um pouco a minha bola, e falando sinceramente e fragilmente agora, tenho medo de nunca poder fazer parte de algo. Tenho medo de não me sentir fazendo parte de alguém. No fundo eu tenho medo de ficar sozinha. De restar.
Eu tenho medo, você entende? Eu tenho medo das mesmas histórias se repetindo, dos mesmos amores esvaindo, do mesmo mundo fantasma. Eu tenho medo da mesmisse e tento buscar minha emancipação, mas onde, onde estou?
Eu quero sair daqui, sabe? Eu tenho vontade de ir embora daqui. Eu tenho vontade de correr o mais longe que puder, sem precisar avisar. Mas eu tenho medo....
(então me abraça forte e me diz mais uma vez que já estamos distantes de tudo..)
24/08/2008
21/08/2008
...Você tem tempo?
Não sei dizer, mas não tenho tempo para pensar, refletir, ou chorar. Não tenho tempo para dizer "eu te amo" aos amigos, ou "sinto saudades" aos ausentes. Não tenho tempo para dizer para mim que estou com saudade da minha casa, que tenho muita vontade de largar tudo, mesmo sabendo que o "largar tudo" implica objetivamente eu não ter mais nada.
E agora, seu Zé. Tá desempregado? Teu amor sumiu? Foi largado? Ficou de final na disciplina? Acha que ninguém gosta de ti? É difícil te entenderem? Não te preocupas! Teus problemas acabaram: tchan tchan tchan, apenas arrumas o não-tempo para não precisar pensar um pouco mais.
.... Mas eu não sei se isso tá colando comigo. O não-tempo ainda arruma um tempo para poder me agonizar um pouco.
17/08/2008
Freedom, freedom em meu coração

Eu sempre falei muito sobre liberdade e do quanto eu almejo essa palavrinha, do quanto ela é importante para mim. Senti, logo depois, que apesar da solidão e da aparente incompatibilidade dos meus relacionamentos, o que eu prezo é, antes de mais nada, a liberdade.
A minha liberdade às vezes me priva de viver a realidade, porque ela é parte sonho, parte ideal. Ela sonha com tanta coisa bonita, ela espera tanto, e às vezes, bem, ela não atinge o objetivo. Eu tentei avisar para as pessoas que convivem comigo que eu sou tão livre que não sou nem de mim mesma, muito menos do outro. Passei a não aceitar, e não aceitando, passei a imaginar, porque se a realidade te alimenta com merda, a mente pode te dar flores, já diria Caio F.
Não significa que você perdeu a sua cabeça, mas se você tiver perdido, tudo bem.. pois tem um modo de fazer as coisas brilharem, e isso se chama tentar viver. Sim, tentar viver, aos trancos e barrancos, do jeito de for, do jeito que a realidade te vier. Sim, tentar viver.
Pois bem. Não sentia que estava vivendo, e se estava, tudo estava tão estranho. Então decidi que as coisas que estavam me incomodando nos últimos tempos eu ia me afastar completamente. Isso por mim, isso por você que mantém contato comigo, isso pela minha aparente ilusão de liberdade. Pode parecer bobo, e até idiota, eu estar falando de tudo isso e acabar dizendo: "cara, eu apaguei o orkut porque não me sentia livre com todas aquelas pessoas me rodeando e analisando a minha vida". Podia até ser que eles não tivessem me analisando, mas eles estavam tirando completamente eu de mim, e não, nunca quis me despedir de mim, machucaria por demais.
Assim eu apaguei. Não é que eu queira criar um motivo para mim, porque na verdade não há motivos, não há perguntas nem respostas. Quanto mais se pergunta, menos se têm respostas e mais surgem perguntas, portanto nem me pergunte.
Tive vontade de repente de estar só com a minha liberdade, e se não estar só, tive vontade de estar só com aquelas poucas pessoas que creio serem importantes para minha vida. Não é que eu tenha algo a esconder, porque eu não tenho, mas eu não queria me esconder de mim, e era o que eu estava fazendo.
....Apenas tanto faz agora para mim se estou perto ou longe. Não sei, mas não parece fazer o menor sentido.
11/08/2008
Sobre a efemeridade
Um dia desses eu tinha 3 anos, adorava Xuxa e brincava de Comandos em Ação. Um dia desses eu acreditei em Papai Noel. Um dia desses eu assisti Carrossel, um dia desses assisti Chiquititas. Um dia desses eu ouvi Mamonas Assassinas e dançei É o Tchan.
Muitos teóricos versam sobre o tempo e sobre o efeito do tempo. Confesso que minha escrita é um apanhado ao tempo, à memória, ao esquecimento, à ilusão. Escrevo sobre o que não foi, sobre o que poderia ter sido, sobre o que foi, sobre o que vai ser, sobre o que está sendo. Escrevo por não suportar mais, ou por suportar demais e não falar. Escrevo por não conseguir gritar e por ser incomunicável.
O tempo passa, o tempo voa, o tempo continua. Os ponteiros do relógio marcam os novos dias e em cada novo número eu já não sei quem sou. O tempo marca, o tempo dói. A ilusão do tempo dói. O passado, o presente, o passado e a memória, e o esquecimento, e a lembrança... e todas essas coisas abstratas que venho lidando.
Não tenho uma formação mental sobre o assunto, mas de uma coisa eu tenho certeza: o passado pesa. A lembrança, a memória, o esquecimento [....] o passado e a ilusão de um passado ou de um ter passado: essas coisas pesam.
Mas o que mais pesa para mim hoje é a efemeridade. É esse estar das coisas momentâneas, essa fugacidade, esse estado latente corriqueiro, essa não-percepção-das-coisas-ao-redor. Isso sim pesa em mim, e pesa tanto, mais tanto [....] que em todo novo relacionamento tenho necessidade de falar isso: "mas não, não quero ver as coisas se esvairem dessa maneira..."
Tenta me dizer que as coisas não vão se esvair, e eu tento dizer que daqui há três meses você não vai lembrar nem do meu nome, quanto mais dos meus sinais e dos meus falares. Daqui há um mês você não vai lembrar que eu costumo dizer bons dias e bons sonhos. Você não vai lembrar, ou talvez você lembre e isso passe rapidamente, porque as coisas estão mudando e rodando em um ritmo frenético e você não tem tempo para pensar nessas abstrações.
O que me pesa hoje é saber que os relacionamentos estão cada vez mais superficiais e monótonos [...] não por falta de interesse, mas por falta de contato, por falta de diálogo. Não sei se é medo ou se é preguiça, não sei se é defesa ou se simplesmente as coisas estão acontecendo dessa forma e assim vai ser. Eu não sei, e às vezes não quero saber. Me pesa hoje saber que eu não me encontro e não me reconheço nessas pessoas, nesses lugares, nessas objetividades...
01/08/2008
How often do you find the right person?

Eu confesso que essa pergunta me deixou um pouco preocupada, ou digamos assim, extasiada. O quanto a gente não tá desperdiçando a nossa vida? O quanto a gente não arrisca talvez a oportunidade de... find the right person? Parece-me que estamos todo segundo pensando, raciocinando, criando fórmulas matemáticas para traduzir o que se passa.
Não, fórmulas, palavras, números, ou qualquer uma dessas coisas... seria inexplicável, seria completamente ininteligível. O problema, ou não, é estarmos pensando demais nisso, ou então em qualquer uma das outras coisas.
Eu nunca achei que fosse dizer isso, mas acho que o problema está em pensarmos demais. Já diria Tarkovisky: "As pessoas que mais pensam sobre felicidade e tristeza são possivelmente as pessoas mais tristes". "O problema dos jovens é pensar muito que estão sozinhos".
Poderia dizer que não conseguiria viver sem pensar, pensar, pensar, pensar.. mas pensar de um modo interior. As pessoas me falam para eu tirar uma folga, me ocupar com outras coisas, parar de ficar pensando besteira. Besteira, besteira, besteira.. se não sabe, pequenos grandes seres humanos, vocês... Deus, papaidocéu, ou alguma Divindade Superior criou cada um de nós diferente, cada pessoa tem o que se chamaria de um primado de subjetividade. O que é besteira para você, não é besteira para mim. O que é gota d'água para mim, é tempestade para você. O que é lixo para mim, é jardim para você... e é isso que torna o mundo, por algumas vezes, inacreditável.
Talvez quanto mais desvendarmos o pensar, mais nos tornemos dependentes dele. Pensar, pensar, pensar, pensar, take a breath, girl! No, I wouldn't take a breath, man! Eu não vou. Isso é o que eu chamo viver [...] se isso não é viver para você, bem, sinto muito. Isso é o que eu chamo de ser intensa, de descobrir, de arriscar, de sofrer, de amar, de odiar. You know me, I'm impulsive.
Agora, enquanto estiver sentado nessa cadeira, pare um pouco e pense. Respire, pare, pense: how often do you find the right person? Não tente fugir do que existe dentro de você. Pense para dentro.
Créditos: Once (2006)
25/07/2008
24/07/2008
Sonhos #1
Mas não, leitor. Só porque ele perdeu não significa que ele está perdido, não significa que ele vai parar, porque ele não pararia. Uma vez ele perdeu a única coisa que ele tinha: a criatividade das suas idéias (...) e era como se ele tivesse perdido a si mesmo.
O que ele quis dizer não foi exatamente isso, e o que me proponho a fazer não é desconstruí-lo, não, não, seria por demais insólito. No seu último livro ele falou sobre um sonho, um sonho em um outro tempo.
don't leave the light on, baby (dream #1)
'como poderia sonhar com uma coisas dessas? acordei com meu corpo suando, meus olhos quase em lágrimas, meus cabelos bagunçados e um ar de: hey, the dream is over. a pior sensação de um sonho bom é ter que acordar para realidade.
eu nunca tinha pensado que a minha vida poderia ser análoga a um sonho.. até que um dia eu sonhei. mas sobre o que exatamente se tratava o sonho? (...)
era férias. eu estava partindo junto a vários colegas rumo a qualquer praia. lembro-me que cheguei morrendo de fome, provavelmente os outros também estavam, pois pediram uma comida estranha à domicílio que vinha em uma ambulância. na fome eu nem lembrei da ambulância, apenas pensei em comer tudo para em seguida ir ao mar. eu gostava de ir sozinho ver o mar, era mágico! pensei, tanta água, tanta água, o sertão quem sabe deve ser o mar, ou o mar é sertão, com a diferença que um é oposto ao outro.
ah, tudo estava tão normal até o momento em que ela chegou... meus olhos paralisaram, meu corpo tremeu inteiro, e os seus olhos me perseguiam de uma forma que não sei explicar. então, logo depois, o impacto veio: um dos colegas me apresentou ela e o seu respectivo namorado. oh god, only shit!... senti meu rosto apagar com a quase descoberta de um amor.
apesar de ter consciência da ponte que nos separava, ela continuava a me perseguir. ela me olhava sem parar, e oh Deus, eu tentei muito, eu tentei fugir de todas as formas que imaginei, mas foi um fracasso. existem coisas que estão destinadas a ser, pensei (...) talvez estavámos destinados a ser.
todos comentavam dos nossos olhares e da nossa aparente "frieza" em não nos importar com ninguém. cada segundo que passava eu estava mais invadido, e ela, mais invasora. horas passaram... até que enfim ela pudesse fugir do seu namorado. ela veio em minha direção, segurou meu braço, me olhou seriamente e disse: por que você está fugindo? naquela hora eu quis dizer muitas coisas, mas minha voz não saia de forma alguma, eu só saberia tocá-la, ou talvez nem saberia.
horas depois o seu namorado veio a mim, bravamente questionando: - você vai destruir todos os anos que eu vivi ao lado dela? não chegue perto dela, estou avisando, nem ouse estar perto dela. naquele momento eu entendi o seu lado, e triste, respondi: - eu não vou estar perto dela, você pode ficar tranquilo.
era como se o mundo inteiro estivesse conspirando para manter os nossos olhares separados, mas mesmo assim, ela encontrou um modo de se comunicar comigo. uma amiga dela serviu de correio para nós, passando vários recadinhos ao longo daquela noite inesquecível. god! como tudo aquilo poderia ter acontecido em uma só noite? pensei.
ela dizia que eu não precisava ter medo, que desde o momento que cruzou seu olhar já sabia: algumas coisas estavam destinadas a ser. eu disse, triste, que fugia por não querer causar problemas, mas que mentia pra si mesmo ao rejeitar essa proximidade. eu tentei ir embora, mas ela me pediu com carinho que eu não fosse.
passado um tempo, passado os recados, já às 4:20 da manhã, quando eu estava deitado na areia olhando as estrelas, ela chegou e deitou ao meu lado. segurando as minhas mãos, ela disse: don't leave the light on baby, i'll see you sometime maybe..
todos ao nosso redor nos julgaram. um amigo chegou perto de mim e disse: é verdade que você fez isso? e então disse sem medo: - sim, é verdade, e se pudesse, faria novamente.
cheguei a pensar: como pude resistir a essa grande paixão? nós estavámos sim, destinados a ser. algumas coisas estão destinadas a ser... então não deixe a luz acesa, querida, eu verei você algum dia...
A história foi realmente linda, intensa, romântica, proibida... mas doeu profundamente ter que abrir os olhos e ver que talvez aquilo não passasse de mais uma realidade intrapsíquica em um mundo colorido-dolorido ficcional.
22/07/2008
Cartas #1

Eu poderia começar isso de diversas formas, mas nada te faria chorar tanto quanto essas exatas palavras: Minhas noites com tortas Blueberry.
Não consigo enxergar as palavras, meus olhos ardem, meu nariz me incomoda. Mudei de posição só para poder te escrever um pouco, querida. Eu não sei quem você é, não sei o que você gostaria de ser, mas enquanto estou digitando essas palavras ao vento, finjo que você existe por um só momento, mesmo que em Havana, em Bolívia, em Japão, China, Austrália. Seja lá onde você estiver, meu bem.. por favor me ouça paulatinamente, eu preciso disso agora.
Lembro-me daquele dia quando você sentou na cadeira do bar em vermelho. Você estava realmente convencida que precisava me falar alguma coisa muito importante, e eu, comovido pela sua dispersão, tentei me concentrar para que você entendesse que eu estava sim, bastante apto a ouvir. Depois de muito olhar para mim, tocar meus lábios e me abraçar forte, você sussurrou no meu ouvido esquerdo: 'once i wanted to be the greatest'.
Poderia enumerar várias causas para esse sussurro, que tanto comoveu-me como um diabo, tanto que uma flor na janela me fez chorar. Não, eu não quis, meu bem, estar de alguma forma conectado à você por todos esses anos, mas os seus postais não negavam, os seus postais diziam: nossas letras queiam, burns like the sunset.
Não poderia explicar qualquer um dos nossos sentimentos, pois não entendia, jamais entenderia o que é estar conectado à alguém. Não entendia que o amor ultrapassaria anos, meses, dias, distâncias, épocas, se assim estivesse disposto a ultrapassar, resistir.
Não me importa que eu esteja aqui com meus olhos vermelhos.. talvez vítima de uma alergia, talvez vítima de uma música bonita ou talvez vítima do meu próprio coração. Não me importa que eu esteja aqui imaginando o quanto eu sinto sua falta, o quanto eu ligo pros bares te procurando, te pedindo por favor para voltar. Você não vai voltar porque você nunca veio, tento compreender e interiorizar para mim, como também não... Talvez eu não veja voltar aquela que eu conheci, mas sim uma nova pessoa, diferente daquela já quebrada ou com um quê de infinitude no olhar.
E assim você vai viajando pelo mundo, cortando arranhas-céus, se perdendo ao mesmo tempo que se encontrando. Você me ensinou a confiar, eu te ensinei a confiar.. "Eu poderia falar qualquer coisa a você...." Eu também poderia, tento dizer. Eu tenho todas as imagens na minha cabeça, todas as cenas, cores, gestos (...) Só resta que você venha para que tudo isso aconteça.
Apenas hoje eu vou te esperar na minha cama azul, vou tragar aquele cigarro, te oferecer mais uma torta Blueberry, beijar a sua boca com gosto doce e amável que você sempre teve, desde já, desde sempre. Talvez quando você voltar, quando cruzar essas ruas tão difíceis de serem atravessadas, eu estarei do outro lado, e te direi: 'you're always the greatest...'
20/07/2008
15/07/2008
2046
eu não vou começar outro texto falando do quanto eu posso ser desprezada, ignorada, mal amada, ou qualquer outra coisa. eu não vou discutir a metafísica dos meus sentimentos, eu não vou calcular teorias para ser feliz. eu não vou somar lágrimas. eu não vou culpar o mundo. eu não preciso abrir os olhos outra vez. o tempo é tudo, uma vez disseram. sim, o tempo é tudo.
sento-me aqui mais uma vez nesse lugar obscuro, coloco o teclado nas pernas (...) não penso em nada, minhas mãos apenas seguem a sincronia desses movimentos. sinto saudade daquela velha máquina de escrever, daquele cigarro nunca tragado, daquela noite nunca vivida. sinto saudade de qualquer coisa que agora nem sei o que é.
não encontro uma posição adequada para escrever. na verdade, a única coisa que eu gostaria era de não poder pensar em nada, não olhar nada, não ouvir nada, apenas deixar isso me levar, deixar esses sentimentos sairem de mim, transbordarem nesse pequeno local, nesse pequeno itinerário de nostalgias.
sinto vontade de ser caio fernando abreu, sinto vontade de ser clarice lispector, sinto vontade de ser um pouco bukowski, e tanto dostoievski, sinto vontade de ser qualquer um deles, e ao mesmo tempo não sinto vontade de nada. não quero ler, não quero escutar, não quero nem saber o que estou digitando nesse exato momento.
olho a janela e tudo que vejo são telhados. os verdes mesclam com os azuis, os pássaros voam sem ter para onde ir, sem pensar no caminho a seguir. de longe eles parecem felizes, mas nada se sabe sobre eles, além de sua simples fisiologia e anatomia.
eu queria poder pular essa janela, encontrar essas micropartículas infindáveis por aí, eu queria poder não precisar pensar em nada. eu queria ser ar, vento, chuva, ... eu queria ser todos os elementos e ao mesmo tempo não! eu não quero nada, acho indigno.
eu queria poder dizer para as pessoas devolverem os meus laços, queria poder estar só e não reclamar um segundo sequer que estou só, eu queria poder não pensar que sou talvez um emaranhado de mil pretos, cinzas, brancos, vermelhos, verdes, azuis (...)
eu queria poder não apertar o backspace, eu queria voltar no tempo e fumar meu cigarro em paz. eu não tenho cigarro, eu não sinto vontade e não me sinto confortável.
eu sou na verdade o que eu não sou, o que eu sou, o que dizem que eu não sou e o que dizem que eu sou. eu sou tudo isso e talvez não seja nada disso, porque palavras não caberiam e seria inexplicável por demais...
estou cansada de procurar atrás dessas portas, janelas, muros (...) estou cansada de brincar de esconde-esconde nessas florestas cinzas, estou cansada dos seus sentimentos, estou cansada dos meus sentimentos, estou cansada de precisar, de faltar, de não ter e de ter também.
estou desprezada como um cão sem osso, sozinha como um tinta sem par, perdida como um desviante viajante, estou aqui, estou lá, estou em todos os lugares, estou contigo, estou com ele, estou com ela.
não conceituo a minha vida, a minha orientação, os meus caminhos, os meus gostos, os meus amores. eu gosto do que em mim há no mundo, eu gosto do mundo e das cores e dos clichês e das palavras que me fazem continuar lúcida.
escrever é resistir. estou resistindo.
24/06/2008
coffee break

what's is going on?
cada vez mais longe. pretendo, com minha força, ou com a minha aparente força, continuar assim. onde isso vai me levar? pergunto. não sei. mas não quero mais doer em mim. não quero mais sentir. não quero mais me sentir vulnerável. eu quero que isso continue dessa maneira. eu não quero mais, eu não gosto mais, eu quero me sentir sozinha e não ter que gritar a sete portas que estou sim, sozinha..
que talvez sempre estive, mas não soube reconhecer. isso não se resume a escolhas, não é? eu espero que ninguém volte, há alguém aqui. por favor diga-me o porquê e quando, isso não é uma escolha.
eles podem sentir os seus mundos girando.
mas não girem ao meu redor.
eu nunca quis. eu não quero.
16/06/2008
tonight i won't say "tonight it's ok"

"Always had a choice but i cannot be mislead like that.." Mew - Snowflake
Recomendações a parte, Mew traduz tudo o que eu ando sentindo nos últimos tempos. Blunted, exhausted. Não me sinto bem nos seus sons confortáveis. Eu nunca me sinto bem confortavelmente. Eu vivo na contradição. Eu sou uma dialética.
É uma pena que o mundo não entenda isso, mas não me importo.
12/06/2008
para um lugar desconhecido
sem música, não haveria vida. (nietzsche)
Convido-te para uma viagem no tempo e no espaço, mil músicas ou nenhuma música para encher seus ouvidos e aos poucos, - carinhosamente e delicadamente – decifrar-me.
• Azure Ray – Sleep
Anda sendo difícil dormir. As mudanças abalam as minhas estruturas quando acontecem na minha vida. Noite passada, tentei encontrar uma posição na rede, olhei pro teto e pensei: “Devo dormir! Como vou agüentar tudo amanhã?”. De fato cobramos muito de nós mesmos, e até penso às vezes: se não cobrasse tanto assim de mim provavelmente teria mais paz. Mas como disse antes, eu sou um dragão que não conhece o paraíso, eu não procuro a paz, apesar de gostar da paz. Nesses espaços loucos, no meu quarto – eu posso ir e voltar – e mudar, e posso até eventualmente dormir, mas apenas eventualmente.
• Devendra Banhart – Freely
Liberdade para o meu coração, eu quero viver dessa maneira.
Sim, tenho um carinho enorme pela minha liberdade. O que chamo de liberdade? Nem eu sei direito o que é, mas sei que quando estou longe – e presa, e sem voz – meu corpo grita para que eu me liberte novamente. Eu quero ter a liberdade de gritar, porque há sim o direito ao grito, a voz, já como diria Lispector. Há o direito a vida, a morte, ao amor. Não preciso que as pessoas me coloquem em um lugar, me encaixem em um quadro. Na verdade não é questão de precisar, é uma questão de não se preocupar. Não me preocupo. Eu sou muito mais do que uma caixa, do que um lugar, do que uma palavra, eu sou muito mais do que qualquer conceituação. Lembro-me então quando pensamos nas Instituições e naquela dimensão que não é visível, que só pode ser vista produzindo análise. Eu sou como essa dimensão não vista. Na verdade eu sou sentida. Quer me conhecer? Sinta-me, com todo o seu ser, com todos os seus órgãos, entre em contato, não deixe que essas janelas, paredes, muros, possam de alguma forma me transformar em uma dimensão visível.
• Au Revoir Simone – The Lucky One
Ando fatigada de sedes insaciáveis e buscas inúteis, como diria o Caio F. Ando meio fatigada desse mundo líquido. Algo como: te conheço hoje, amanhã te ligo, depois te beijo, e depois, logo depois depois, não te conheço mais. Ando meio fatigada de sonhar um "estarmos juntos". Ando chateada, ando muito chateada com essa efemeridade de sentimentos... mas, porém, entretanto, deixe o sol brilhar, deixe o sol chegar, para mostrar que o amanhã será inventado. Penso, com calma, e busco respostas: não importa, vou deixar o sol brilhar. Se as pessoas soubessem que precisamos – sim, sim – de um feedback, que como diria novamente Caio F, temos emoções, e não ter emoção significa viver em vazios, viver autodestruições. Não me autodestruo, começando principalmente pela minha fé, por que existe coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé nenhuma? caiof. novamente.
• Azure Ray – Safe and Sound
Jogue sua dor para longe e encontre a si mesmo nesse som.. o amor é como perdemos, não como encontramos. Não dá para fugir de si mesmo. Não dá para ser neutro. Não cobre isso de você mesmo, nada é perfeito. Reconheça-se na sua perdição.
• Feist – La Meme Histoire
Amantes são encontrados e perdidos procurando por mais uma oportunidade, tudo que eu sei é que estamos todos na mesma dança.
Se pudéssemos entender que estamos mesmo todos em uma mesma dança. Que dançamos pela vida. Que dançamos, e nessa dança não há diferença entre eu e você, pois estamos na mesma dança, e estamos sim procurando por alguma coisa.
• Explosions In The Sky – First Breath After Coma
Primeiro respirar após um coma. Tudo começa calmo, tudo está em calma, tente respirar, tente viver. Tento viver, tento respirar, tento. Descubro-me em um coma, um estaticismo que não sei explicar. Tento gritar, tento abrir os olhos, tento respirar. Calma, tudo está em calma, tente respirar, tente viver. Estou caindo, estou indo para algum lugar inesperado, me perdi no caminho e não tenho mapa algum. Por favor, me ajude, por favor, me socorre porque hoje eu nada sou além de pedir suavemente para que você venha. Tente respirar, tente viver. Preciso viver, preciso respirar. Os sons da guitarra ecoam, grito, tento levantar-me, tento esquecer-me para lembrar-me. Tento, tento, cada vez mais "em uma tentativa abrupta" ser algo a mais do que esse simples respirar após um coma, e eis que paro, paro, e um som estranho vem a mim como uma linha demarcada em um aparelho, uma linha reta com um som agudo, uma linha que traduziria toda a minha tentativa frustrada de continuar. Após cinco minutos de tentativas, após quase trinta segundos de mais tentativas, após quase os oito minutos de tentativas abruptas, uma chance, apenas uma chance para sobreviver. Falta-me um minuto, preciso respirar, preciso respirar.
De repente.. quase que em um estarrecedor entrelaçar entre guitarras e linhas em um aparelho qualquer, respiro. Respiro urgentemente como se a qualquer momento fosse roubado de mim o direito de viver. Um primeiro respirar após um coma.
• Kings Of Convenience – Summer On The Westhill
Eu abaixo meu rosto e deixo meus olhos flutuarem aonde quiserem flutuar… eu me sinto em casa aqui, no meio de nenhum lugar.
Eu quero uma casa no meio de nenhum lugar, eu terei paciência e encontrarei o meu lugar.
• Explosions In The Sky – Home
Explosões no céu! Casa... Preciso tanto da minha casa, da minha vida. Preciso tanto de qualquer coisa que não sei explicar, preciso do tudo e do nada, e essa música resgata o meu tudo e o meu nada. Preciso da minha mãe, preciso da minha cama, da minha janela, tão longe e tão perto. Preciso de qualquer coisa que me faça lembrar novamente que ainda existem interstícios, que ainda existe esperança, fé (...) que amanhã vai amanhecer e eu vou lembrar daquele pôr-do-sol da minha janela, daquela minha força enorme de continuar, porque o barco pode estar furado, mas vou remar, remar, remar, remar, algum dia, com certeza, chegarei ao outro lado. Preciso de você que nunca encontrei, que um dia eu quis procurar, mas que desisti no primeiro momento... pois sei que você não está nessas caixas, nesses quadros. Você está entre, está nos interstícios. Preciso talvez de nenhum lugar onde mesmo assim eu me sinta em casa. Eu não quero essas paredes amarelas. Eu não quero entrar aqui e sentir que estou perdendo parte de mim, e às vezes pareço estar. Entenda, me alimento sentindo, sentindo intensamente. Tenho sede de sentir. Tenho fome de viver.
• Sigur Rós – Vidrar Vel Til Loftarasa
Fecho (ou abro) essa coletânea com Sigur Rós. Para mim, esse som é mais autêntico e mais visceral. Sigur Rós começa lá de dentro, percorre todos os seus sentidos, e enfim, chega aos seus ouvidos. O som baixo adquire uma força enorme com o passar do tempo e grita, grita, grita, como se um sonho fosse virar realidade a qualquer momento. Traduzo esse lugar como Sigur Rós. Começa lá de dentro, percorre tudo o que eu sou, e depois chega ao exterior. A força enorme significa a minha realização e a minha eventual partida. Talvez por isso, por esse ‘de-dentro-fora’, a minha sintonia com esse lugar seja tão difícil.
Mas não desisto, pois sei que chegarei a algum lugar, e que se for a nenhum lugar – ainda assim me sentirei em casa.
Tivemos um sonho, tivemos tudo...
01/06/2008
Careful now
Tenha cuidado agora, você vai se machucar, você vai machucar um outro alguém.
31/05/2008
Freely
Hoje eu quero me balançar em uma rede na beira de um mar maravilhoso, aquele azul reluzente e um pôr-do-sol quase que insinuante, me dizendo: “hoje você vai esquecer de tudo, até de você mesma.”.
Hoje eu quero um beijo daquela minha avó distante, daquele rapaz carente, daquela amiga ausente. Hoje eu vou escrever sem ter medo de me expor. Eu sempre escrevi, sempre tive essa mania de me desnudar a cada primeiro instante de dor ou de excitação. Meu medo sempre foi transparecer eu mesma aos outros.
Mas existem momentos que você deve parar e escutar, com atenção e paciência, sua própria voz.
Assim, ponho o som as alturas com a banda Explosions in the Sky, e começo a pensar, pensar, pensar, pensar, ai que dor de saudade vezenquando, aquela dorzinha assim de, que vontade de ficar com mamãe, de dizer bom dia, de preparar um café preto e eventualmente, até escutar as suas queixas e me zangar com a sua intempestividade. E eis que ela me liga neste momento, em quase que um entrelaçar de sentimentos, em que um pensa no outro e eles se encontram, mesmo que estejam longe, longe.
Escrevendo isso, me lembro de um dos autores que gosto de ler, e que aliás, li um texto dele ontem. Nele dizia que havia um dragão que não conhecia o paraíso. Conclui que esse mesmo dragão, que morava com ele, também morava comigo. O meu dragão, por vezes, destrói aqueles velhos morangos da horta. Ele mofa meus pensamentos, me construindo e desconstruindo. Eu sinto falta dele todos os dias, e quando ele não vem, eu chego a não cuidar de mim. Hoje o meu dragão está comigo, eu sinto o cheiro de alecrim, e talvez por ele, eu esteja assim quebrando todas as estruturas. Ele não vem sempre. Ele quase não vem.
“Os dragões não permanecem. Os dragões são apenas a anunciação de si próprios. Eles se ensaiam eternamente, jamais estréiam. As cortinas não chegam a se abrir para que entrem em cena. Eles se esboçam e se esfumam no ar, não se definem. O aplauso seria insuportável para eles: a confirmação de que sua inadequação é compreendida e aceita e admirada, e portanto - pelo avesso igual ao direito - incompreendida, rejeitada, desprezada. Os dragões não querem ser aceitos. Eles fogem do paraíso, esse paraíso que nós, as pessoas banais, inventamos - como eu inventava uma beleza de artifícios para esperá-lo e prendê-lo para sempre junto a mim. Os dragões não conhecem o paraíso, onde tudo acontece perfeito e nada dói nem cintila ou ofega, numa eterna monotonia de pacífica falsidade. Seu paraíso é o conflito, nunca a harmonia.”
Talvez eu seja um dragão. Eu prefiro a luta da construção do que a aceitação do fingimento. Eu não sou positivista, de-fi-ni-ti-va-men-te. Eu procuro ver a negatividade como uma outra forma de se lidar com o mundo, e com ela, eu me desconstruo construindo. É na luta que eu me construo.
Eu não quero construir algo já visto. Não pelos outros, mas sim por mim mesma. Eu não quero ser a mesma, eu me inovo todos os dias, eu sou sempre uma nova, misturada com uma velha e uma futura.
para me livrar de tanto mar / resolvi espairecer, aparecer sem avisar / pra não ser sempre na mesma rotina de ilusões
15/05/2008
..um tempo que refaz o que desfez

nós celebramos o dia, e um sonho distante nasce. escute nós mesmos tocando em ritmo para a música, ninguém parece escutar, isto é completamente diferente, nós vivemos em outro mundo onde nós nunca fomos invisíveis (..) nós faremos melhor da próxima vez, este é um bom começo)
Memórias de um dia. Um sorriso, uma abertura. Nós não somos invisíveis, nunca poderíamos ser. Mesmo que possa parecer triste, mesmo que você chore, mesmo mesmo mesmo, ainda assim existem esperanças luminosas.
Sigur Rós traz paz e reflexão para esse texto. Não sei encontrar palavras porque no momento tive uma vontade enorme de não ser invisível, mesmo sendo. Sei que é difícil, sei que lido com demandas psicológicas fortes, sei que é isso que vou me deparar até o resto da minha vida. Sei que preciso ter dentro de mim uma esperança luminosa, uma forte esperança que brilhe e contagie todas essas pessoas. Não queria manter distância, mas nós faremos melhor da próxima vez. Que nosso desenho, nossa pintura, nossos 'coloridos-doloridos' cheguem à você com uma energia enorme. Não perco a fé, não perca a fé. Minha doçura grita, te alertando para que não desista. Respire, precisamos respirar.. "a melhor coisa que Deus criou é haver todos os dias um novo dia..".
E fico me perguntando, depois de tanto escutar e tanto ver, qual o sentido. Sim, esse sentido que nós criamos, que procuramos e não achamos. Responde, por favor, qual é o sentido? Será que eu vou ter estomâgo o suficiente para aguentar tudo isso? Passei o dia inteiro me perguntando qual o sentido, qual o sentido, qual o sentido, me diz...
Eu queria tanto ajudar. Queria tanto poder fazer qualquer coisa. Talvez por isso me 'encontrei' nessa profissão. Eu quero muito ajudar, eu quero trazer uma fé de algum lugar e entregar em cada coraçãozinho doentinho. Eu sinto - intensamente - sinto, sinto, sinto, eu sou toda emoção, e jamais poderia me desligar disso.
Eu queria muito abraçar e transportar essa força, essa coisa que tem dentro de mim.. mas uma máscara me separa do seu rosto, e tudo o que posso fazer é olhar (...) sorrir timidamente escondida. Eu queria muito.
Penso, penso, penso, e já não sei onde vou chegar.... me perdi na estrada e não tenho mapa algum. Esse colorido-dolorido invadiu meu dia, espero não ter que me despedir dele. Tudo bem, o céu está explodindo... jogando flores por todos os lados, como as que havia desenhado.
Tá tudo bem, tá tudo bem... tento explicar para mim.
13/05/2008
oh yes, wait a minute mr. postman!

" you gotta wait a minute, wait a minute
you gotta check it and see, one more time for me"
Nada mais é igual, claro, óbvio, as coisas mudam. Eu só não aguento mais essa realidade plástica, líquida - efêmera - consumista. Essa revolução preguiçosa, esse ócio intelectual - produzirpublicarproduzirpublicarcurriculolattescêenêpêquê. Sim, estou cansada. De fato, tento não perder minhas esperanças de que devem existir pessoas que pensam - constantemente - nessa fugacidade dos sentimentos - emoções - subjetividade. Estamos tão preocupados na produção, no consumismo, que esquecemos a existência dos interstícios. Sim, a pós-modernidade dark boy.. não dá para ser pensada mais em blocos. Existem interstícios, bloco é coisa do passado, querido.
Só é uma pena que poucas pessoas ainda parem para pensar nisso...
08/05/2008
acordar, escovar os dentes - e tudo bem
leia-se: acordar, escovar os dentes - e tudo bem, seguir em frente.
30/04/2008
pensamentos insones
é na luta que eu me construo.
é na luta que eu me construo. é nesse despertar diário às seis horas da manhã. é essa rotina, essa sincronicidade de acontecimentos, esses livros, essas esperas. definitivamente, me sinto só. tenho em mim os sonhos de uma quase-não-solidão, mas vi -sim- que por algum motivo - grave ou não - eu sou ímpar. ser ímpar não implica necessariamente ser só, ser ímpar é ser só para si mesmo. tive que me suportar, me aceitar, me aturar todos esses dias. estive só para mim mesma.
enfrentei situações difíceis, fiquei nervosa, ansiosa. bati na parede, esqueci, lembrei, gritei, até chorei. é na desconstrução que eu me trabalho. é na luta que eu me construo. é nisso, que chamamos de vida - que clichê - que eu me vivo. viver para si.
não se engane, caro amigo: tudo é uma rede de clichês.
isso não é novidade. nunca será.
21/04/2008
19/04/2008
sonhos vazios de preenchimento
pensando bem o que eu ganhei por todo esse tempo? lágrimas, vazio, dor, e emoção transgênica.. para sentir-se vivo outra vez.."
a mesma música sobre felicidade e muito anos de vida. qual será o meu desejo? será que esse ano ganho roupas ou então posso pedir brinquedos de novo? as crianças cresceram. eu não me sinto tão errada, eu vou fingir não entender e diante de suas concepções eu não vou argumentar. não me diga que eu perdi minha coragem, não me diga que me perdi em minhas contradições, só me entreguei às velhas lágrimas da verdade. tão vazios sonhos seus (ontem olhei para trás e percebi que o que fizemos foi em vão)
16/04/2008
tempus fugit
05/04/2008
tomar um banho por dentro
Tomar um banho de chuveiro por dentro. Um banho frio. Tirar tudo, desde o começo, desde o passado, desde até o futuro. É hora de me fazer, eu sei. Chorar por tudo que se perdeu.. por tudo o que ameaçou e não chegou a ser, mas antes de mais nada, tomar um banho de chuveiro por dentro.
31/03/2008
"Vinte primaveras", como diria minha avó.
30/03/2008
w n b w t l a?
inês pedrosa.
28/03/2008
get me away from here, i'm dying
26/03/2008
Anotações Sensatas
- Condição?
- Ah, essa condição, entende.
- Entendo.
- Não, não entende. Você já passou por isso?
- Não sei, talvez, quem sabe, algum dia, ou alguma hora?
- Então não passou, boy.
- Então o que você é?
- Eu sou eu, ora.
- De qual natureza?
- Tá vendo, estamos lidando com o velho enquadramento.
- Essa baboseira não existe, Pedro.
- Vai dizer agora que não acredita em horóscopos?
- Não, não acredito.
- Tudo bem, você pode ficar com essa sua mania mesquinha de achar que o mundo é objetivo.
- Qual o problema?
- Ué, nenhum.
- Meu sol é em Áries, meu ascendente é em Sagitário, e minha lua é em Touro.
- Whatáfucká, Pedro, já te disse para parar de procurar explicações em astros, estrelas, duendes, e essas merdas todas, para que insistir tanto nisso?
- Qual o problema?
- "Ué, nenhum".
- Ok então.
- O que foi?
- Sou eu, essa é a minha natureza, tá entendendo? Coisas óbvias não me agradam!
- Procura o abstratismo então.
Entra Maria Eduarda e Sophie
- Alo alo vocês gente! Como vão?, pergunta Duda.
- Aeae Duda, vamos no abstratismo, ironiza João.
- Então, a gente tava procurando um apê para gente, you know? E achamos uma belezura ali pela rua dos alfaiates.
- Sério? Quantos quartos?
- Acredite se quiser, é só um mesmo!
- Vocês vão morar juntas?
- Yep, yep, yep!
- Sabia que vocês iam se entender algum dia.
- Enquanto você fica com essa merda de objetividade, fisicidade e todas outras porcarias, grita Pedro.
- Pedro, já disse que não vou entrar nesse mêrito com você, fala calmamente João.
- Parabéns-então-boy!
- Nossa, cês tão é bem, né?, ri Duda olhando pros dois. Soph, vem para cá!, grita exasperadamente.
- Jããããããooo.. Peeedro, boys, como vão meus amores?
- No abstratismo.
- No fisicalismo.
- Nossa, que horrível vocês, people. Love and peace please! - diz Duda.
- Você tá tão inglesa. Parece até uma lady, fala Pedro analisando continuamente Duda.
- I'm a lady!
- Ui, amor. Bote lady nisso! - ri Sophie
- Então gente, como vocês se entenderam mesmo? - pergunta João.
- Amor não é dependência, João. Amor é escolha. A gente escolhe estar com alguém todos os dias, e quando já não acha que é suficiente, quando já não supra todos as expectativas, procura outra escolha. Eu escolhi isso.
- Eu concordo com a Sophie. Dependência é quase uma possessão. Eu não quero isso, sabe? Toda escolha requer perdas e ganhos, claro.. mas o importante é maximizar os ganhos e minimizar as perdas.
- Que lindo! Eu queria puder me sentir assim...
- Você pode, Pedro.
- Não consigo lidar com o fisicalismo.
- Nem eu com o abstratismo.
- Hey, vocês nunca vão poder lidar com coisas intrinsícas ao outro tão bem assim, poxa. Para que tanta cobrança?
- A Sophie tá certa. Cobrança não combina com relacionamento.
- Quem diria que um dia vocês iam dar conselhos para gente... até onde chegamos, hein?
- Até algum lugar. - Dispara Duda.
- Mas o importante é que estão juntos. - complementa Sophie.
(Silêncio)
- A gente não ama o que o outro é de verdade, o que o outro gosta de verdade. A gente ama o que em nós existe no outro. Eu amo o que em mim existe em ti. Eu amo o que eu posso esperar, e o que eu já não espero e não gosto, eu não amo. E o que eu posso esperar é sempre algo que amo, é o que eu poderia esperar de mim mesma.
- Nossa Soph! Da onde tirou tanta coisa linda? - Comenta Pedro.
- Sol em Áries, ascendente em Gêmeos, lua em Virgem. - ri Duda.
- Uma mulher plena, carinhosa, intensa, compulsiva, aberta, fechada, engraçada, séria, enfim... - Analisa Pedro.
- Eu concordo com a parte do amor.
- Eu também, João. - diz Duda.
- Pensem nisso.
- Vou pensar.
- Então, vamos começar a tocar Beatles para animar os ares?
- Só se for agora! - se anima Soph.
- Ariana nata, hein? - comenta Pedro.
- Oh yes, beibe.
Pedro no vocal, com toda a sua melódica.
Sophie nas guitarras.
João na bateria.
Duda no piano e teclado.
Eles eram quase perfeitos. Não eram músicos, artistas, estudantes, nem nada além. Eles não se enquadrariam. Não se adaptariam. Não se adequariam. Não seriam meros colegas. Não seriam meros amantes. Não seriam apenas isso. Além, muito além de qualquer palavra, qualquer conceito, eles seriam todos e ninguém ao mesmo tempo. Seriam antíteses. Sem convenções. Eles lutariam por qualquer coisa, e por nada. Eles lutariam por eles mesmos, e por cada um. Eles se completavam nas suas incompletudes. Eles se bastavam. Eles se faltavam.
Eles eram, ponto final.
(Sem continuação da frase)
05/03/2008
Lord, can you hear me now?

Ela murchou. Como desabrochar agora?
Mesmo que toda a música se resumisse a uma frase, (...) mesmo que o céu tivesse sol, mesmo que o mundo fosse colorido, não, não, ela nunca se sentiria tão bem.
Ela tentou explicar que pesava muito ter que sentir isso. Pesa.
Ela não saberia entender o sentido das coisas.
Ela achava o mundo amargo.
Ela era amarga.
Ela queria tanto, talvez por tanto querer se perdeu entre o chão e os ares.
Não. Já não sabia sonhar. Já não sabia viver, muito menos voar.
Ela se sentiu tão vazia. "How did i live without dreams, reality and wings?".
No, she never felt so good.
Incompleta. Sem peças.
She really wants to be someone. "Everyone wants to be found", she thinks.
Ela achou que escrever fosse a solução. Ela tentaria escrever. Ela tentaria fotografar, talvez fosse divertido fotografar. "Can you hear me now, or am I lost?" , she ask.
Ah, se eles soubessem o que estava acontecendo em sua vida, provavelmente teria um documentário no canal 5.
She lives in coma. She wants to breath. First breath after coma, just.
22/02/2008
Inside it all feels the same
16/02/2008
E não falhou.
-- Nossa, até parece mesmo um fim de namoro.
Eles foram os últimos a sair. Se tiveram últimas palavras? Não precisava, quem sabe. Ela disse para ele que os olhos eram armas mais fortes do que os beijos, e depois de um tempo, ela parou de olhar. Ele perguntou o porquê de tudo aquilo, ela já não sabia explicar. Não teve namoro, não teve compromisso, nunca existiu nada, nunca existiria nada, mas até que parecia um fim de namoro decadente. Parecia um fim ou um encontro.
Já se passava das quatro horas da manhã. Eles tentaram ser claros e simples, como em uma moldura que se vê, mas não. No final sempre queda algo obscuro, ela tentou dizer.
-- Quero te beijar.
E não falhou, acreditem.
13/02/2008
Os olhos
E hoje, hoje eu quero esquecer de tudo, menos dos olhos. Em um desses desencontros eu encontrei uns olhos lindos no ônibus. Todo o resto não parecia fazer sentido, nem no corpo - nem no espaço. Algo me fazia parar e olhar pros olhos - não pro rosto, não pro corpo, não pro cabelo - só pros olhos, único e exclusivamente.
No começo parecia ameaçador para mim. Logo depois os olhos começavam a me dominar, a me paralisar. Parecia estranho que eu não estivesse olhando para mais um corpo, rosto, cabelo, mas sim para um olhar.
Não que aqueles olhos me dissessem alguma coisa. Não, ao contrário, eles não me diziam nada. Era só silêncio o tempo inteiro, e a cor, a cor, a cor era um esverdeado meio triste misturado com sei lá o quê. Era indefinível demais para conceituar em palavras.
Daí lembrei de uma das partes do filme Lavoura Arcaica: "Filho, não esqueça, os olhos são a candeia da alma".
Talvez eu estivesse em contato com aquela alma. Talvez não. E era tudo tão mais tão puro, sem intenções, sem medo. Eu queria poder olhar para as pessoas do jeito que consegui olhar pr'aqueles olhos. Em contato, na alma.
12/02/2008
Tinha a leve impressão
Era uma tarde de outono, outubro, outono de outubro. Pela janela via-se outros carros passando, outras pessoas, outras vidas, outras sensações invadiam. Seus cabelos vermelhos voavam, uma câmera captava cada segundo daqueles olhos, daquela tarde de outubro, tarde de outono.
De repente suas vidas passavam como um roteiro de filme acabado. Os olhares, os abraços, a vida inconsciente, os hóteis, camas, lençois, beijos, alianças. Um dia ele havia dito que a aliança deve ser colocada no dedo angular - é a única via que vai direto ao coração. Ela sabia que isso não fazia o menor sentido, angular, indicador, mínimo ou seja lá o que for, não ia mudar o verdadeiro sentido, nem ia deixar de ser menos ou mais romântico.
Ela o amava. Ele, bem, talvez. Com as mãos nos seus ombros, ele a beijou demoradamente e perguntou se gostaria de tomar um banho de chuva. Eles foram. Ela tinha a leve impressão que seria a última de suas chuvas. No carro, seus cabelos, seus olhos, e a câmera - pausadamente mirando seus olhos vermelhos. Ela tinha a leve impressão que seria deixada. E foi.
Música: Death Cab For Cutie - A movie script ending
http://br.youtube.com/watch?v=77We-tPmScs
09/02/2008
Mrs. Writer
e o amor me comeu tudo. tudo. novamente. e dói em uma dor que não sei explicar, uma dor que dói e não sei decifrar. um choro que brota e não sei cessar. dói numa cor indefinível, e eu que só queria amor, me pergunto, por que tão duro, por que tão de repente? como eu vou chegar até o outro lado? fria, sem amor, sem cor, desgastada, sem ar, sem mar, sem céu, sem sol.
somos sempre impelidos a nos arriscar, por uma chance, por uma única chance, pelo que chamamos de amor, ou dor, a doce dor de um amor.
já não sei mais ser a mesma. tenho medo da minha doçura. sou tão doce que talvez as pessoas não suportem a minha doçura. a minha solidão é tanta que talvez não suportem os meus poços, a minha dor. talvez não suportem.
depois já não sei mais ser a mesma. são só rosas vermelhas. deixe as rosas serem vermelhas. deixo crescer. deixo semear. mas já não sou mais a doce. viro amarga. viro antítese. viro dor.
finjo. finjo ser, mas não sou. é tempo de me fazer, eu sei. só não sei mais ser a doce, a eterna menina doce que vive em poços eternos dentro de si.
queria poder ser eu. sem me doer e sem precisar do outro. queria poder me doar e não doer. queria poder ser rosa e não ter espinhos. queria poder ter rosas e não merecer espinhos. queria poder amar - e ser amada - com doçura, acima de tudo.
todas essas pessoam estão bebendo o amor. todas essas pessoas estão vivendo a dor. eu sei que é tempo de crescer. eu sei que é tempo de ser forte e suportar all that shit - all that people. é tempo de me fazer - sem dor, sem medo.
eu vou seguir caminho de volta para casa e contarei isso como isso realmente é.
blue and lonely.
08/02/2008
Love is a fate resigned
06/02/2008
Lord Antony
29/01/2008
Who needs boys when there's Lisa 'round?
eduardo b.
5 bandas ; 5 músicas
Música: Made up love song #43
Essa música me veio de uma maneira bastante especial: presente da minha querida amiga Liv. Guillemots tem um som antigo e novo ao mesmo tempo, uma mesclagem de grito, dor, alegria, satisfação, frustração. Essa música é bem acabada, podem até chamá-la de single, mas não considero. Ela vem com uma elemento novo: amor disfarçado de dor. Por isso, trago aqui a primeira banda; primeira música.
Aerogramme
Música: A life worth living
A primeira vez que ouvi Aerogramme tive certeza que era uma banda que iria me viciar rápido. Motivos? Músicas cheias de sensibilidades, guitarras, arranjos sem fim em uma melodia romântica. Bingo! Essa música fala do sacrifício da vida, e o quanto que a gente tem que dar valor a ela. A life worth living veio no tempo certo.. Recomendável para qualquer noite sem sentido.
Elliott Smith
Música: Can't make a sound
A primeira vez que escutei Elliott já percebi a sensibilidade desse homem. Can't make a sound é uma música que fala sobre a solidão, e a necessidade de se sentir "bem" consigo mesmo, mesmo estando sozinho. Eu entendi que essa música é feita para mim. "Por que você iria querer outra coisa, quando você é um mundo sem um mundo?". Simplesmente belo.

Damien Rice
Música: Older chests
Damien Rice tem uma voz espetacular, e ai de quem discordar, não? Acho que ele tem uma coisa que poucos têm: consegue falar pouco e dizer muito. Older chests fala de um término, e do tempo curando este término. Parece clichê, mas o tempo realmente desloca o incurável do centro das atenções. As coisas vão melhorando, melhorando, melhorando, melhorando, até que um dia você não se dá conta mais de nada, você apenas não pensa mais, e quando pensa, já não possui mais aquela dor [sem-palavras].
Tori Amos
Música: Northern Lad
Definitivamente, essa é uma das músicas mais bonitas que já tinha escutado nos meus últimos 19 anos, ou seja! Além da voz linda da Tori, ela tem essa coisa indecifrável de falar sobre os sentimentos. Ela tem essa coisa indefinivel de falar o que eu sinto, sem nem me conhecer. E essa música, como não poderia faltar, diz: "Garotas, vocês tem que saber quando é tempo de virar a página". Sim, Tori, eu sei que tenho que saber, mas é tão difícil. Nota 1000 para Tori. She's perfect.














