16/02/2008

E não falhou.

-- Que fim de namoro decadente. Ele disse.

-- Nossa, até parece mesmo um fim de namoro.

Cervejas na mesa, copos quebrados, até a própria caneta que contaria o conto falhou no momento exato. Não era um namoro, na verdade nunca seria. Ela pensou nas palavras de Elizabeth quando disse: por que você está sempre tentando terminar algo que ainda nem começou? Que fim de namoro decadente. Até a própria trilha-sonora era decadente, alternando entre all the lonely people, where do they all belong?, e alguns poucos [muitos] bregas existentes.

Eles foram os últimos a sair. Se tiveram últimas palavras? Não precisava, quem sabe. Ela disse para ele que os olhos eram armas mais fortes do que os beijos, e depois de um tempo, ela parou de olhar. Ele perguntou o porquê de tudo aquilo, ela já não sabia explicar. Não teve namoro, não teve compromisso, nunca existiu nada, nunca existiria nada, mas até que parecia um fim de namoro decadente. Parecia um fim ou um encontro.

Já se passava das quatro horas da manhã. Eles tentaram ser claros e simples, como em uma moldura que se vê, mas não. No final sempre queda algo obscuro, ela tentou dizer.
E as últimas palavras?

-- Quero te beijar.

E não falhou, acreditem.