13/02/2008

Os olhos

Encontros e desencontros. Encontros, desencontros.


E hoje, hoje eu quero esquecer de tudo, menos dos olhos. Em um desses desencontros eu encontrei uns olhos lindos no ônibus. Todo o resto não parecia fazer sentido, nem no corpo - nem no espaço. Algo me fazia parar e olhar pros olhos - não pro rosto, não pro corpo, não pro cabelo - só pros olhos, único e exclusivamente.

No começo parecia ameaçador para mim. Logo depois os olhos começavam a me dominar, a me paralisar. Parecia estranho que eu não estivesse olhando para mais um corpo, rosto, cabelo, mas sim para um olhar.

Não que aqueles olhos me dissessem alguma coisa. Não, ao contrário, eles não me diziam nada. Era só silêncio o tempo inteiro, e a cor, a cor, a cor era um esverdeado meio triste misturado com sei lá o quê. Era indefinível demais para conceituar em palavras.
Daí lembrei de uma das partes do filme Lavoura Arcaica: "Filho, não esqueça, os olhos são a candeia da alma".

Talvez eu estivesse em contato com aquela alma. Talvez não. E era tudo tão mais tão puro, sem intenções, sem medo. Eu queria poder olhar para as pessoas do jeito que consegui olhar pr'aqueles olhos. Em contato, na alma.