12/02/2008

Tinha a leve impressão

A leve impressão de ter sido deixada.

Tudo começou em uma tarde de outubro. O caminho para casa parecia envolto de tonalidades distintas. O som da bateria ecoava dentro do carro, e as palavras - ah, palavras - já não pareciam mais fazer sentido.

Era uma tarde de outono, outubro, outono de outubro. Pela janela via-se outros carros passando, outras pessoas, outras vidas, outras sensações invadiam. Seus cabelos vermelhos voavam, uma câmera captava cada segundo daqueles olhos, daquela tarde de outubro, tarde de outono.

De repente suas vidas passavam como um roteiro de filme acabado. Os olhares, os abraços, a vida inconsciente, os hóteis, camas, lençois, beijos, alianças. Um dia ele havia dito que a aliança deve ser colocada no dedo angular - é a única via que vai direto ao coração. Ela sabia que isso não fazia o menor sentido, angular, indicador, mínimo ou seja lá o que for, não ia mudar o verdadeiro sentido, nem ia deixar de ser menos ou mais romântico.

Ela o amava. Ele, bem, talvez. Com as mãos nos seus ombros, ele a beijou demoradamente e perguntou se gostaria de tomar um banho de chuva. Eles foram. Ela tinha a leve impressão que seria a última de suas chuvas. No carro, seus cabelos, seus olhos, e a câmera - pausadamente mirando seus olhos vermelhos. Ela tinha a leve impressão que seria deixada. E foi.

Música: Death Cab For Cutie - A movie script ending


http://br.youtube.com/watch?v=77We-tPmScs