Eles - os outros - estão sempre procurando um enquadramento. Uma adaptação. Uma adequação. Vocês já devem ter sido postos nessa condição.
- Condição?
- Ah, essa condição, entende.
- Entendo.
- Não, não entende. Você já passou por isso?
- Não sei, talvez, quem sabe, algum dia, ou alguma hora?
- Então não passou, boy.
- Então o que você é?
- Eu sou eu, ora.
- De qual natureza?
- Tá vendo, estamos lidando com o velho enquadramento.
- Essa baboseira não existe, Pedro.
- Vai dizer agora que não acredita em horóscopos?
- Não, não acredito.
- Tudo bem, você pode ficar com essa sua mania mesquinha de achar que o mundo é objetivo.
- Qual o problema?
- Ué, nenhum.
- Meu sol é em Áries, meu ascendente é em Sagitário, e minha lua é em Touro.
- Whatáfucká, Pedro, já te disse para parar de procurar explicações em astros, estrelas, duendes, e essas merdas todas, para que insistir tanto nisso?
- Qual o problema?
- "Ué, nenhum".
- Ok então.
- O que foi?
- Sou eu, essa é a minha natureza, tá entendendo? Coisas óbvias não me agradam!
- Procura o abstratismo então.
Entra Maria Eduarda e Sophie
- Alo alo vocês gente! Como vão?, pergunta Duda.
- Aeae Duda, vamos no abstratismo, ironiza João.
- Então, a gente tava procurando um apê para gente, you know? E achamos uma belezura ali pela rua dos alfaiates.
- Sério? Quantos quartos?
- Acredite se quiser, é só um mesmo!
- Vocês vão morar juntas?
- Yep, yep, yep!
- Sabia que vocês iam se entender algum dia.
- Enquanto você fica com essa merda de objetividade, fisicidade e todas outras porcarias, grita Pedro.
- Pedro, já disse que não vou entrar nesse mêrito com você, fala calmamente João.
- Parabéns-então-boy!
- Nossa, cês tão é bem, né?, ri Duda olhando pros dois. Soph, vem para cá!, grita exasperadamente.
- Jããããããooo.. Peeedro, boys, como vão meus amores?
- No abstratismo.
- No fisicalismo.
- Nossa, que horrível vocês, people. Love and peace please! - diz Duda.
- Você tá tão inglesa. Parece até uma lady, fala Pedro analisando continuamente Duda.
- I'm a lady!
- Ui, amor. Bote lady nisso! - ri Sophie
- Então gente, como vocês se entenderam mesmo? - pergunta João.
- Amor não é dependência, João. Amor é escolha. A gente escolhe estar com alguém todos os dias, e quando já não acha que é suficiente, quando já não supra todos as expectativas, procura outra escolha. Eu escolhi isso.
- Eu concordo com a Sophie. Dependência é quase uma possessão. Eu não quero isso, sabe? Toda escolha requer perdas e ganhos, claro.. mas o importante é maximizar os ganhos e minimizar as perdas.
- Que lindo! Eu queria puder me sentir assim...
- Você pode, Pedro.
- Não consigo lidar com o fisicalismo.
- Nem eu com o abstratismo.
- Hey, vocês nunca vão poder lidar com coisas intrinsícas ao outro tão bem assim, poxa. Para que tanta cobrança?
- A Sophie tá certa. Cobrança não combina com relacionamento.
- Quem diria que um dia vocês iam dar conselhos para gente... até onde chegamos, hein?
- Até algum lugar. - Dispara Duda.
- Mas o importante é que estão juntos. - complementa Sophie.
(Silêncio)
- A gente não ama o que o outro é de verdade, o que o outro gosta de verdade. A gente ama o que em nós existe no outro. Eu amo o que em mim existe em ti. Eu amo o que eu posso esperar, e o que eu já não espero e não gosto, eu não amo. E o que eu posso esperar é sempre algo que amo, é o que eu poderia esperar de mim mesma.
- Nossa Soph! Da onde tirou tanta coisa linda? - Comenta Pedro.
- Sol em Áries, ascendente em Gêmeos, lua em Virgem. - ri Duda.
- Uma mulher plena, carinhosa, intensa, compulsiva, aberta, fechada, engraçada, séria, enfim... - Analisa Pedro.
- Eu concordo com a parte do amor.
- Eu também, João. - diz Duda.
- Pensem nisso.
- Vou pensar.
- Então, vamos começar a tocar Beatles para animar os ares?
- Só se for agora! - se anima Soph.
- Ariana nata, hein? - comenta Pedro.
- Oh yes, beibe.
Pedro no vocal, com toda a sua melódica.
Sophie nas guitarras.
João na bateria.
Duda no piano e teclado.
Eles eram quase perfeitos. Não eram músicos, artistas, estudantes, nem nada além. Eles não se enquadrariam. Não se adaptariam. Não se adequariam. Não seriam meros colegas. Não seriam meros amantes. Não seriam apenas isso. Além, muito além de qualquer palavra, qualquer conceito, eles seriam todos e ninguém ao mesmo tempo. Seriam antíteses. Sem convenções. Eles lutariam por qualquer coisa, e por nada. Eles lutariam por eles mesmos, e por cada um. Eles se completavam nas suas incompletudes. Eles se bastavam. Eles se faltavam.
Eles eram, ponto final.
(Sem continuação da frase)
- Condição?
- Ah, essa condição, entende.
- Entendo.
- Não, não entende. Você já passou por isso?
- Não sei, talvez, quem sabe, algum dia, ou alguma hora?
- Então não passou, boy.
- Então o que você é?
- Eu sou eu, ora.
- De qual natureza?
- Tá vendo, estamos lidando com o velho enquadramento.
- Essa baboseira não existe, Pedro.
- Vai dizer agora que não acredita em horóscopos?
- Não, não acredito.
- Tudo bem, você pode ficar com essa sua mania mesquinha de achar que o mundo é objetivo.
- Qual o problema?
- Ué, nenhum.
- Meu sol é em Áries, meu ascendente é em Sagitário, e minha lua é em Touro.
- Whatáfucká, Pedro, já te disse para parar de procurar explicações em astros, estrelas, duendes, e essas merdas todas, para que insistir tanto nisso?
- Qual o problema?
- "Ué, nenhum".
- Ok então.
- O que foi?
- Sou eu, essa é a minha natureza, tá entendendo? Coisas óbvias não me agradam!
- Procura o abstratismo então.
Entra Maria Eduarda e Sophie
- Alo alo vocês gente! Como vão?, pergunta Duda.
- Aeae Duda, vamos no abstratismo, ironiza João.
- Então, a gente tava procurando um apê para gente, you know? E achamos uma belezura ali pela rua dos alfaiates.
- Sério? Quantos quartos?
- Acredite se quiser, é só um mesmo!
- Vocês vão morar juntas?
- Yep, yep, yep!
- Sabia que vocês iam se entender algum dia.
- Enquanto você fica com essa merda de objetividade, fisicidade e todas outras porcarias, grita Pedro.
- Pedro, já disse que não vou entrar nesse mêrito com você, fala calmamente João.
- Parabéns-então-boy!
- Nossa, cês tão é bem, né?, ri Duda olhando pros dois. Soph, vem para cá!, grita exasperadamente.
- Jããããããooo.. Peeedro, boys, como vão meus amores?
- No abstratismo.
- No fisicalismo.
- Nossa, que horrível vocês, people. Love and peace please! - diz Duda.
- Você tá tão inglesa. Parece até uma lady, fala Pedro analisando continuamente Duda.
- I'm a lady!
- Ui, amor. Bote lady nisso! - ri Sophie
- Então gente, como vocês se entenderam mesmo? - pergunta João.
- Amor não é dependência, João. Amor é escolha. A gente escolhe estar com alguém todos os dias, e quando já não acha que é suficiente, quando já não supra todos as expectativas, procura outra escolha. Eu escolhi isso.
- Eu concordo com a Sophie. Dependência é quase uma possessão. Eu não quero isso, sabe? Toda escolha requer perdas e ganhos, claro.. mas o importante é maximizar os ganhos e minimizar as perdas.
- Que lindo! Eu queria puder me sentir assim...
- Você pode, Pedro.
- Não consigo lidar com o fisicalismo.
- Nem eu com o abstratismo.
- Hey, vocês nunca vão poder lidar com coisas intrinsícas ao outro tão bem assim, poxa. Para que tanta cobrança?
- A Sophie tá certa. Cobrança não combina com relacionamento.
- Quem diria que um dia vocês iam dar conselhos para gente... até onde chegamos, hein?
- Até algum lugar. - Dispara Duda.
- Mas o importante é que estão juntos. - complementa Sophie.
(Silêncio)
- A gente não ama o que o outro é de verdade, o que o outro gosta de verdade. A gente ama o que em nós existe no outro. Eu amo o que em mim existe em ti. Eu amo o que eu posso esperar, e o que eu já não espero e não gosto, eu não amo. E o que eu posso esperar é sempre algo que amo, é o que eu poderia esperar de mim mesma.
- Nossa Soph! Da onde tirou tanta coisa linda? - Comenta Pedro.
- Sol em Áries, ascendente em Gêmeos, lua em Virgem. - ri Duda.
- Uma mulher plena, carinhosa, intensa, compulsiva, aberta, fechada, engraçada, séria, enfim... - Analisa Pedro.
- Eu concordo com a parte do amor.
- Eu também, João. - diz Duda.
- Pensem nisso.
- Vou pensar.
- Então, vamos começar a tocar Beatles para animar os ares?
- Só se for agora! - se anima Soph.
- Ariana nata, hein? - comenta Pedro.
- Oh yes, beibe.
Pedro no vocal, com toda a sua melódica.
Sophie nas guitarras.
João na bateria.
Duda no piano e teclado.
Eles eram quase perfeitos. Não eram músicos, artistas, estudantes, nem nada além. Eles não se enquadrariam. Não se adaptariam. Não se adequariam. Não seriam meros colegas. Não seriam meros amantes. Não seriam apenas isso. Além, muito além de qualquer palavra, qualquer conceito, eles seriam todos e ninguém ao mesmo tempo. Seriam antíteses. Sem convenções. Eles lutariam por qualquer coisa, e por nada. Eles lutariam por eles mesmos, e por cada um. Eles se completavam nas suas incompletudes. Eles se bastavam. Eles se faltavam.
Eles eram, ponto final.
(Sem continuação da frase)


