eu sei que eu sou nova demais para pensar nessas coisas. quase vinte anos de solidão, não os cem do gabriel, mas vinte. um metro e sessenta e um de tentativas, cabelos longos de tanta dor, de tanto tentar e errar, e me perder, assustar. eu sei que eu não deveria pensar nisso, eu sei que eu deveria pensar em qualquer outra coisa. saídas no sábado com o intuito de qualquer beijo descompromissado. mas não sei ser assim. olhos castanhos claros de tantas lágrimas, e me pergunto, quando isso pára, quando é que o tal peace and love vem. eu sei, tenho que saber o tempo de virar a página, mas continuo com esse vazio e essa tentativa ridícula de preenchimento, qualquer coisa como: não pense nisso novamente, querida. esse mundo frio não é para mim. eu não mudo como sugar kane. eu quero chuva. isso não tá começando a congelar. isso não congela. então eu me deito na sala, coloco tori amos ou explosions in the sky para tocar, fecho os olhos, caem lágrimas, e me pergunto: "quando isso pára, quando isso pára", faz parar por favor, e finalmente vejo que estou cansada. que busco apoio a coisas alheias a mim. que ficar sozinho é saber, antes de mais nada, conviver com si mesmo, e talvez eu nunca estarei pronta para isso. então busco. tento. erro, preencho, e ilusão, e rotina, e pergunto, pergunto, pergunto, quando isso pára, quando isso pára.


