31/03/2008

"Vinte primaveras", como diria minha avó.

entrar com tudo na década dos "vinte" me assusta. e penso, cansada: daqui há 2 anos e meio me formo, daqui há cinco ou seis anos já estou no mestrado, daqui uns oito anos farei doutorado?
tudo tão rápido, e ainda me sinto como uma menina no auge dos seus dezesseis anos. me sinto uma adolescente confusa, ainda construindo o que virá pela frente. assusta me ver crescendo tão rápido, me ver na faculdade praticamente construindo toda uma nova vida. me assusta morar sozinha, cozinhar todos os dias, passar pano e varrer todos os dias. me assusta ter que cumprir responsabilidades que antes eu não tinha.
me assusta saber que todos os meus atos têm consequências, e o mais importante de tudo isso: todos os meus atos profissionais vão ter um peso definitivo na vida de alguém. penso, penso, penso, não quero crescer, não agora, me deixa viver um pouco mais. eu que queria tanto ser "gente", agora peço por favor, "me deixem ser criança". eu que tanto queria uma carteira de motorista, um atestado de dezoito anos, eu que queria tanto liberdade, agora me sinto como uma criança amedrontada.
o dia começou normal, e quando eu acordei já nem pensei: "poxa, esse é meu aniversário, que legal!". eu pensei: "poxa, vinte anos, isso tem um peso".
uma das ligações de hoje valeu a pena escutar e refletir. era meu pai. ele disse para eu não perder a fé, porque nada se consegue com imediatismo. eu não sei o porquê, mas parece que ele entendeu o que eu estava precisando escutar, e mesmo sem me olhar, me disse isso. "olha, minha filha, eu passei quinze anos lutando muito. não perca a fé nunca, sempre acredite em você, porque você é mais do que tudo isso que você pensa que é. tenha paciência e as coisas vão chegar para você.."
sim, não perca a fé. não pai, não perderei a fé. tem coisa mais auto-destrutiva do que insistir sem fé nenhuma? não tem, sabe? se não é dessa vez, vai ser da próxima. isso sempre vai ser uma eterna luta, uma eterna provação. nem que eu tenha várias comas por dia, por meses, por anos, logo após eu vou ter um respirar. first breath after coma, just. não perco a fé, não perca a fé.
que venha os anos vinte's!