
Mundo fantasma. Mundo fantasma! Mundo, mundo, mundo fantasma! Parece ridículo, muito ridículo isso que eu estou falando, mas não me sinto parte de algo. Eu não me sinto parte de algo quando estou fora do meu quarto. Eu não me sinto parte de algo quando subo aqueles degraus e sigo em direção aquela sala onde "superficialmente" as pessoas debatem. Eu não me sinto, e por não me sentir, talvez, quase sempre ou sempre, as pessoas possam rir de mim.
Riam de mim, seus malvados, porque eu sou a dama da noite, sim, aquela, que talvez um dia quem sabe Caio F. escreveu. Riam de mim, mundo fantasma, mundo hipócrita, mundo falso! O quê? Vocês estão me dizendo que estão realizando uma formação c-r-í-t-i-c-a? Oh what! What a fuck, que porcaria de formação vocês estão fazendo? "Pegue um dinheiro e seja feliz, querida". Sim, eu pego um dinheiro porque é inevitável fazer parte do consumismo capitalista, não posso ser ridícula ao falar que não [...] mas daí fazer de mim uma reprodução de idéias, reprodução de vestimentas, reprodução de palavras, s-i-m-p-l-e-s cópia? Não, querida, ria de mim, nas minhas costas, na minha frente, ao meu lado, ria de mim! [...] Não sou eu que vou mendigar palavras, não sou eu que vou viver de mentiras.
[Desabafo]
Pronto, terminei. Agora estou mais aliviada e posso falar um pouco sobre essa explanação. De fato, estou um pouco decepcionada com o desandar da minha formação acadêmica por causa de certas pessoas que não estão querendo problematizar as questões.
Veja bem, eu sou sim uma egoísta que só pensa em mim, porque não sei, não consigo, não sinto, não me sinto parte disso. Posso estar sendo radical, não nego e nem preciso dizer que não sou radical, porque quando os pobres coitados dizem isso [...] ah mundo, eles não sabem o que querem dizer. Se ao menos soubessem que radical se refere aquele que vai à raiz, a origem.
Posso até estar desmerecendo o conhecimento dos outros, mas não ligo, que se foda você e seu mundinho, não ligo mesmo, eu não sou multidão, eu não quero ganhar 4.000 por mês e sentir que estou cumprindo o meu dever, colega.
Algum dia, quem sabe, talvez, você vai abrir seus olhos e conhecer a outra parte do mundo. Não faço parte disso, não gosto disso, não suporto isso e nunca vou suportar, apesar de aceitar e respeitar esse mundo fantasma. Aceito e respeito, mas não gosto nem suporto.
E chega. Chega, digo mais uma vez chega! Chega de falsos moralismos, companheirismos e palavras do tipo: somos todos unidos.
[Estou desabafando novamente]
Ok, parei. Então, como ia dizendo, estou meio decepcionada, mas eu sei que isso sempre vai acontecer. Abaixando um pouco a minha bola, e falando sinceramente e fragilmente agora, tenho medo de nunca poder fazer parte de algo. Tenho medo de não me sentir fazendo parte de alguém. No fundo eu tenho medo de ficar sozinha. De restar.
Eu tenho medo, você entende? Eu tenho medo das mesmas histórias se repetindo, dos mesmos amores esvaindo, do mesmo mundo fantasma. Eu tenho medo da mesmisse e tento buscar minha emancipação, mas onde, onde estou?
Eu quero sair daqui, sabe? Eu tenho vontade de ir embora daqui. Eu tenho vontade de correr o mais longe que puder, sem precisar avisar. Mas eu tenho medo....
(então me abraça forte e me diz mais uma vez que já estamos distantes de tudo..)


