10/10/2008

Even so,

Tenho sido impulsiva, e meu humor tem mudado constantemente. Às vezes estou feliz, às vezes já não suporto mais. Queria saber suportar, ou julgar suportar.

Nos últimos dias tenho ouvido sempre a mesma coisa: "as pessoas que não pensam, que simplesmente não pensam, são as mais felizes". Não sei se essa é a minha felicidade, mas me sinto, no mínimo, fora-do-centro.

Vemos na faculdade o quanto certas pessoas, "sujeitos", "indivíduos", estão fora da norma aceita, fora do que se chama de normal. O não-normal então se torna "anormal", "esquisito", "louco", ou "doido": elas não podem, nem devem, se ocupar do meio social.

[...]

A rua, essa que passamos todos os nossos dias velozes, que temos medo, que apenas passamos, sem permanecer; se tornou não uma forma de existência, mas sim uma forma de ponte, passagem, não-estado.

Não estamos, e ainda julgamos estar. Não sentimos, e ainda julgamos sentir. Não somos, mesmo que suponhamos ser. Na verdade, eu não acredito em nada do que eles, ou vocês, ou até mesmo do que eu falo: não acredite, eles estão gravando e usando todas as formas de alienação (no estado de não ser). Eles estão te tirando de ti mesma. Eles não são eles, mesmo que afirmem que 2+2=4.

Pois não. Fico me perguntando porque 2+2=4, e não 2+2=5. Que tipo de lógica estamos submetidos, ou que tipo de lógica estamos nos deixando submeter? Toda hora estamos fingindo passividade quando na verdade tudo é ação - não no sentido matemático ou físico - mas no sentido filosófico da palavra.

Não adianta dizer que estou filosofando, que estou usando da destruição um meio de tentar abolir tudo e todos. Não adianta dizer que sabe e que entende, porque é bem mais do que isso, e... porque no fundo todo mundo quer ser igual.

O que eu sou? A diferença. O que eu quero ser? Eu quero ser igual, quero ter amigos e eu quero viver esse social. Por que é tão difícil ser diferente? Por que a diferença incomoda? Por que pensar incomoda?

Não, não fui eu que disse que sou a diferença. Foi uma criança de 12 anos que há mais de dois anos vai ao CAPS, que toma remédios para "superar" a diferença, e ainda diz, suavemente, que queria ser igual.

Um dia eu quis dizer e eu sempre vou dizer, um dia eu quis pensar, e uma vez pensado, me perdi no caminho e não sei voltar mais. Entreguei-me ao pecado de pensar, e agora já não sei mais me livrar, tornou vício.

Eu não quis ligar pras conseqüências reforçadoras ou não do meu pensar, eu só quis pensar e achar que de alguma forma seria diferente. Que seria diferente pensar no diferente. Que seria diferente pensar em mim. Que seria diferente todas as coisas [...] desde os primórdios até essa sacanagem ambulante de não-ser-não-estar-não-viver: amenizar.

Não sei amenizar: "sou toda coração, em todas as partes pulso."