11/08/2008

Sobre a efemeridade

"you know i dreamed about you for twenty-nine years before I saw you you know i dreamed about you, i missed you for for twenty-nine years.."

Um dia desses eu tinha 3 anos, adorava Xuxa e brincava de Comandos em Ação. Um dia desses eu acreditei em Papai Noel. Um dia desses eu assisti Carrossel, um dia desses assisti Chiquititas. Um dia desses eu ouvi Mamonas Assassinas e dançei É o Tchan.

Muitos teóricos versam sobre o tempo e sobre o efeito do tempo. Confesso que minha escrita é um apanhado ao tempo, à memória, ao esquecimento, à ilusão. Escrevo sobre o que não foi, sobre o que poderia ter sido, sobre o que foi, sobre o que vai ser, sobre o que está sendo. Escrevo por não suportar mais, ou por suportar demais e não falar. Escrevo por não conseguir gritar e por ser incomunicável.

O tempo passa, o tempo voa, o tempo continua. Os ponteiros do relógio marcam os novos dias e em cada novo número eu já não sei quem sou. O tempo marca, o tempo dói. A ilusão do tempo dói. O passado, o presente, o passado e a memória, e o esquecimento, e a lembrança... e todas essas coisas abstratas que venho lidando.

Não tenho uma formação mental sobre o assunto, mas de uma coisa eu tenho certeza: o passado pesa. A lembrança, a memória, o esquecimento [....] o passado e a ilusão de um passado ou de um ter passado: essas coisas pesam.

Mas o que mais pesa para mim hoje é a efemeridade. É esse estar das coisas momentâneas, essa fugacidade, esse estado latente corriqueiro, essa não-percepção-das-coisas-ao-redor. Isso sim pesa em mim, e pesa tanto, mais tanto [....] que em todo novo relacionamento tenho necessidade de falar isso: "mas não, não quero ver as coisas se esvairem dessa maneira..."

Tenta me dizer que as coisas não vão se esvair, e eu tento dizer que daqui há três meses você não vai lembrar nem do meu nome, quanto mais dos meus sinais e dos meus falares. Daqui há um mês você não vai lembrar que eu costumo dizer bons dias e bons sonhos. Você não vai lembrar, ou talvez você lembre e isso passe rapidamente, porque as coisas estão mudando e rodando em um ritmo frenético e você não tem tempo para pensar nessas abstrações.

O que me pesa hoje é saber que os relacionamentos estão cada vez mais superficiais e monótonos [...] não por falta de interesse, mas por falta de contato, por falta de diálogo. Não sei se é medo ou se é preguiça, não sei se é defesa ou se simplesmente as coisas estão acontecendo dessa forma e assim vai ser. Eu não sei, e às vezes não quero saber. Me pesa hoje saber que eu não me encontro e não me reconheço nessas pessoas, nesses lugares, nessas objetividades...