24/07/2008

Sonhos #1

de um longo tempo em outro tempo
Ele sabia que só seria a very very good person se vivesse na ficção. Ele construia histórias através do tempo, ele destruia histórias quando lhe conviesse. Ele não se preocupava com a sua perdição, salvo engano as horas que estava sozinho. Talvez, ele pudesse falar, algum dia quem sabe, how fuck this! are me a favorite person of nobody?

Mas não, leitor. Só porque ele perdeu não significa que ele está perdido, não significa que ele vai parar, porque ele não pararia. Uma vez ele perdeu a única coisa que ele tinha: a criatividade das suas idéias (...) e era como se ele tivesse perdido a si mesmo.

O que ele quis dizer não foi exatamente isso, e o que me proponho a fazer não é desconstruí-lo, não, não, seria por demais insólito. No seu último livro ele falou sobre um sonho, um sonho em um outro tempo.
Ele nunca havia pensado sobre as questões existenciais de amor ou desamor, tristeza ou felicidade, prazer ou desprazer. Ele ia vivendo como ia dando, e depois ia tentando criar toda a sua realidade intrapsíquica em um mundo colorido-dolorido ficcional. Porém (....) o inevitável aconteceu: um sonho.

don't leave the light on, baby (dream #1)

'como poderia sonhar com uma coisas dessas? acordei com meu corpo suando, meus olhos quase em lágrimas, meus cabelos bagunçados e um ar de: hey, the dream is over. a pior sensação de um sonho bom é ter que acordar para realidade.

eu nunca tinha pensado que a minha vida poderia ser análoga a um sonho.. até que um dia eu sonhei. mas sobre o que exatamente se tratava o sonho? (...)

era férias. eu estava partindo junto a vários colegas rumo a qualquer praia. lembro-me que cheguei morrendo de fome, provavelmente os outros também estavam, pois pediram uma comida estranha à domicílio que vinha em uma ambulância. na fome eu nem lembrei da ambulância, apenas pensei em comer tudo para em seguida ir ao mar. eu gostava de ir sozinho ver o mar, era mágico! pensei, tanta água, tanta água, o sertão quem sabe deve ser o mar, ou o mar é sertão, com a diferença que um é oposto ao outro.

ah, tudo estava tão normal até o momento em que ela chegou... meus olhos paralisaram, meu corpo tremeu inteiro, e os seus olhos me perseguiam de uma forma que não sei explicar. então, logo depois, o impacto veio: um dos colegas me apresentou
ela e o seu respectivo namorado. oh god, only shit!... senti meu rosto apagar com a quase descoberta de um amor.

apesar de ter consciência da ponte que nos separava, ela continuava a me perseguir. ela me olhava sem parar, e oh Deus, eu tentei muito, eu tentei fugir de todas as formas que imaginei, mas foi um fracasso. existem coisas que estão destinadas a ser, pensei (...) talvez estavámos destinados a ser.

todos comentavam dos nossos olhares e da nossa aparente "frieza" em não nos importar com ninguém. cada segundo que passava eu estava mais invadido, e ela, mais invasora. horas passaram... até que enfim ela pudesse fugir do seu namorado. ela veio em minha direção, segurou meu braço, me olhou seriamente e disse: por que você está fugindo? naquela hora eu quis dizer muitas coisas, mas minha voz não saia de forma alguma, eu só saberia tocá-la, ou talvez nem saberia.

horas depois o seu namorado veio a mim, bravamente questionando: - você vai destruir todos os anos que eu vivi ao lado dela? não chegue perto dela, estou avisando, nem ouse estar perto dela. naquele momento eu entendi o seu lado, e triste, respondi: - eu não vou estar perto dela, você pode ficar tranquilo.

era como se o mundo inteiro estivesse conspirando para manter os nossos olhares separados, mas mesmo assim, ela encontrou um modo de se comunicar comigo. uma amiga dela serviu de correio para nós, passando vários recadinhos ao longo daquela noite inesquecível. god! como tudo aquilo poderia ter acontecido em uma só noite? pensei.

ela dizia que eu não precisava ter medo, que desde o momento que cruzou seu olhar já sabia: algumas coisas estavam destinadas a ser. eu disse, triste, que fugia por não querer causar problemas, mas que mentia pra si mesmo ao rejeitar essa proximidade. eu tentei ir embora, mas ela me pediu com carinho que eu não fosse.

passado um tempo, passado os recados, já às 4:20 da manhã, quando eu estava deitado na areia olhando as estrelas, ela chegou e deitou ao meu lado. segurando as minhas mãos, ela disse: don't leave the light on baby, i'll see you sometime maybe..

todos ao nosso redor nos julgaram. um amigo chegou perto de mim e disse: é verdade que você fez isso? e então disse sem medo: - sim, é verdade, e se pudesse, faria novamente.

cheguei a pensar: como pude resistir a essa grande paixão? nós estavámos sim, destinados a ser. algumas coisas estão destinadas a ser... então não deixe a luz acesa, querida, eu verei você algum dia...

A história foi realmente linda, intensa, romântica, proibida... mas doeu profundamente ter que abrir os olhos e ver que talvez aquilo não passasse de mais uma realidade intrapsíquica em um mundo colorido-dolorido ficcional.