12/08/2009

Momento de desespero

Achei que tinha esquecido o nome do usuário e minha senha desse blog. Deus, que medo agora. Ainda bem que lembrei!

Ufa.. é isso, depois volto.

11/04/2009

O primeiro andar

Era uma dessas manhãs em que não se consegue suportar o brilho de viver. Acordar fazia sentido quando a luz intacta se transformava em cinza acabada. E então, acordavam. Eram dois garotos e uma garota, em meio a uma casa estranha. Eles tentavam suportar o brilho posterior, posterior, posterior, mas às vezes a claridade era tão grande que doía dentro, bem dentro assim.

A casa estava vazia e tinha poucas frestas de iluminação. Os buracos nas paredes e nos telhados eram olhos claros que circundavam a dimensão interior. Eles não acreditavam nas dimensões, mas tinham plena certeza que existiam andares.

O primeiro andar não existia, dizia a garota. Mas, o primeiro andar? Claro que o primeiro andar existia. E brilhava: era o que dizia os outros dois garotos. Todas as tardes eles iam ao primeiro andar, e encontravam lá um pequeno marinheiro flutuante. O marinheiro se chamava José Ubaldo, e ele havia saído das profundezas dos mares do atlântico em 1876. Claro, José Ubaldo não havia morrido, pois ele brilhava mais do que todas as frestas de claridade.

Os dois garotos e José Ubaldo conversavam todas as tardes, por volta das 17 hs. O marinheiro chamava os garotos de caminhantes. Uma vez, um dos garotos começou a querer deixar a casa e ser caminhante, mas a claridade lá fora destruía qualquer possibilidade de saída. Foi aí que o garoto perguntou ao marinheiro por que a luz doía tanto, e o marinheiro tentou explicar que talvez o que doesse não fosse a luz, mas os olhos que não estavam acostumados a ver. Às vezes basta saber enxergar.

Em uma tarde dessas, José Ubaldo contou-lhes uma história fascinante sobre um relógio que falava. Após isso, os garotos queriam tanto tanto o relógio falante que decidiram procurar por todos os andares da casa. Eles começaram pelo porão e foram até algum piso não inimaginado, mas aos poucos as dimensões foram se perdendo e eles já não conseguiram levar adiante a busca. A busca se chamou Marinheiro #174.

Aos poucos, a garota começou a ficar sozinha. Ela passava as manhãs, tardes e noites, refletindo sobre a posição dos azulejos da casa. Por vezes, elaborava modos de estruturar a casa, de forma a tentar desvendar o mistério das dimensões. Mas não, nada fazia sentido nas posições, dimensões, claridades [..] da casa. E ela não sabia como sair, e quando tentava, algo mais forte a impelia de volta.

Eles estavam presos. E talvez não existisse o primeiro andar, como também existisse. Talvez eles não estivessem, na verdade, presos. Talvez só acreditassem nas dimensões por pura solidão ou sentimento de desolação. Talvez tudo, talvez nada. Talvez você seja o marinheiro, e os dois garotos sejam a sua imaginação... ou talvez você seja a garota tentando desvendar o mistério das dimensões. Talvez você, talvez eles [...] Ou talvez nada disso: é só uma história escrita em uma manhã de sábado. É só uma história, é só uma história. Mas, talvez, [...] seja você fugindo do primeiro piso, ou tentando encontrar o relógio falante.




17/02/2009

And.. the search continues



Foda-se os amores quebrados, foda-se os loucos(as) confusos(as), foda-se todo o resto. Tenho mais é que me preocupar com o meu futuro. O que você faz determina o que você é. O que você é não determina o que você faz.

E foda-se todo o resto.

16/02/2009

O monólogo não significa nada para mim

FIM

Não consigo iniciar essa história pelo início. Eu queria que ela terminasse pelo início e começasse pelo fim, eu sempre quis isso.

Quando se tem apenas papel e caneta... toda a realidade pode se tornar fictícia, então [...] para não me perder, para não nos perder, para não me doer, vou começar pelo fim.

Eu não vivi essa história. Você não viveu essa história. Nós não vivemos essa história. Essa história não existe. Esse monólogo não significa nada para mim.

- Você sabe que poderia ter sido diferente.
- Não, nada poderia ter sido diferente.
- Se você falasse alguma coisa.
- Eu estou esperando você falar.
- Fala, por favor.
- Não há o que falar.
- Não existe isso.
- Claro que existe, tudo isso existe.
- Não existe.
- Uma distorção da realidade é agora uma necessidade para sermos livres.
- Não existe realidade, não existe liberdade, nada existe.. tudo existe.
- Por favor, acredita.
- Como?
- É simples: apenas feche os olhos e não deseje estar sozinho.
- Últimas palavras?
(Silêncio)

Como não desejaria estar sozinho? Tão desapontado, tão quebrado, tão sujo e tão desacreditado.

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- Você acredita em mim?
- Não sei.
- O que eu faço para você acreditar?
- Não faz nada, não vale a pena.
- Como você sabe?
- Eu leio as estrelas.
- Eu preciso te esquecer?
- Não é fácil.
- Então não me esquece.
- Não te esqueço.

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Eu digo... "sempre te quero perto", e você diz... "as coisas mudam, querida".

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- Chove no meu coração.
- Todos os dias?
- Quase todos os dias.
- E nos outros dias?
- Reflete luz.
- Quando reflete?
- Quando você está comigo.

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- Você tem um caminho para me encontrar.
- Tenho?
- Tem.
- Qual?

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Talvez quisesse dizer: "Você é mesmo uma garota feia, mas eu gosto do jeito que você joga... - E eu morri, mas o agradeci. Você consegue acreditar nisso? - Fatigado, fatigado, segurando seu retrato... se vestindo elegantemente todos os dias".

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- Fica essa noite?
- Fico.
- Sempre?
- Sempre.

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- Eu gosto de você.

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- Eu gosto de ouvir você de manhã quando acordo.
- Eu gosto de acordar você.
- Não é fácil não pensar em você, não é fácil. É estranho.
- Não te contar meus planos, não te encontrar.

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- Não tenha medo.
- Não tenho medo.
- Não tenha medo porque até o vento grita seu nome.
- Não tenha medo, estamos apenas acordando.
- Não tenho medo.

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- O que vem a seguir?
- Chuva.
- E sol.
- E chuva.
- Eu gostei de te conhecer.
- Eu também.