uma trilha para um lugar desconhecido, porque...
sem música, não haveria vida. (nietzsche)
Convido-te para uma viagem no tempo e no espaço, mil músicas ou nenhuma música para encher seus ouvidos e aos poucos, - carinhosamente e delicadamente – decifrar-me.
• Azure Ray – Sleep
Anda sendo difícil dormir. As mudanças abalam as minhas estruturas quando acontecem na minha vida. Noite passada, tentei encontrar uma posição na rede, olhei pro teto e pensei: “Devo dormir! Como vou agüentar tudo amanhã?”. De fato cobramos muito de nós mesmos, e até penso às vezes: se não cobrasse tanto assim de mim provavelmente teria mais paz. Mas como disse antes, eu sou um dragão que não conhece o paraíso, eu não procuro a paz, apesar de gostar da paz. Nesses espaços loucos, no meu quarto – eu posso ir e voltar – e mudar, e posso até eventualmente dormir, mas apenas eventualmente.
• Devendra Banhart – Freely
Liberdade para o meu coração, eu quero viver dessa maneira.
Sim, tenho um carinho enorme pela minha liberdade. O que chamo de liberdade? Nem eu sei direito o que é, mas sei que quando estou longe – e presa, e sem voz – meu corpo grita para que eu me liberte novamente. Eu quero ter a liberdade de gritar, porque há sim o direito ao grito, a voz, já como diria Lispector. Há o direito a vida, a morte, ao amor. Não preciso que as pessoas me coloquem em um lugar, me encaixem em um quadro. Na verdade não é questão de precisar, é uma questão de não se preocupar. Não me preocupo. Eu sou muito mais do que uma caixa, do que um lugar, do que uma palavra, eu sou muito mais do que qualquer conceituação. Lembro-me então quando pensamos nas Instituições e naquela dimensão que não é visível, que só pode ser vista produzindo análise. Eu sou como essa dimensão não vista. Na verdade eu sou sentida. Quer me conhecer? Sinta-me, com todo o seu ser, com todos os seus órgãos, entre em contato, não deixe que essas janelas, paredes, muros, possam de alguma forma me transformar em uma dimensão visível.
• Au Revoir Simone – The Lucky One
Ando fatigada de sedes insaciáveis e buscas inúteis, como diria o Caio F. Ando meio fatigada desse mundo líquido. Algo como: te conheço hoje, amanhã te ligo, depois te beijo, e depois, logo depois depois, não te conheço mais. Ando meio fatigada de sonhar um "estarmos juntos". Ando chateada, ando muito chateada com essa efemeridade de sentimentos... mas, porém, entretanto, deixe o sol brilhar, deixe o sol chegar, para mostrar que o amanhã será inventado. Penso, com calma, e busco respostas: não importa, vou deixar o sol brilhar. Se as pessoas soubessem que precisamos – sim, sim – de um feedback, que como diria novamente Caio F, temos emoções, e não ter emoção significa viver em vazios, viver autodestruições. Não me autodestruo, começando principalmente pela minha fé, por que existe coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé nenhuma? caiof. novamente.
• Azure Ray – Safe and Sound
Jogue sua dor para longe e encontre a si mesmo nesse som.. o amor é como perdemos, não como encontramos. Não dá para fugir de si mesmo. Não dá para ser neutro. Não cobre isso de você mesmo, nada é perfeito. Reconheça-se na sua perdição.
• Feist – La Meme Histoire
Amantes são encontrados e perdidos procurando por mais uma oportunidade, tudo que eu sei é que estamos todos na mesma dança.
Se pudéssemos entender que estamos mesmo todos em uma mesma dança. Que dançamos pela vida. Que dançamos, e nessa dança não há diferença entre eu e você, pois estamos na mesma dança, e estamos sim procurando por alguma coisa.
• Explosions In The Sky – First Breath After Coma
Primeiro respirar após um coma. Tudo começa calmo, tudo está em calma, tente respirar, tente viver. Tento viver, tento respirar, tento. Descubro-me em um coma, um estaticismo que não sei explicar. Tento gritar, tento abrir os olhos, tento respirar. Calma, tudo está em calma, tente respirar, tente viver. Estou caindo, estou indo para algum lugar inesperado, me perdi no caminho e não tenho mapa algum. Por favor, me ajude, por favor, me socorre porque hoje eu nada sou além de pedir suavemente para que você venha. Tente respirar, tente viver. Preciso viver, preciso respirar. Os sons da guitarra ecoam, grito, tento levantar-me, tento esquecer-me para lembrar-me. Tento, tento, cada vez mais "em uma tentativa abrupta" ser algo a mais do que esse simples respirar após um coma, e eis que paro, paro, e um som estranho vem a mim como uma linha demarcada em um aparelho, uma linha reta com um som agudo, uma linha que traduziria toda a minha tentativa frustrada de continuar. Após cinco minutos de tentativas, após quase trinta segundos de mais tentativas, após quase os oito minutos de tentativas abruptas, uma chance, apenas uma chance para sobreviver. Falta-me um minuto, preciso respirar, preciso respirar.
De repente.. quase que em um estarrecedor entrelaçar entre guitarras e linhas em um aparelho qualquer, respiro. Respiro urgentemente como se a qualquer momento fosse roubado de mim o direito de viver. Um primeiro respirar após um coma.
• Kings Of Convenience – Summer On The Westhill
Eu abaixo meu rosto e deixo meus olhos flutuarem aonde quiserem flutuar… eu me sinto em casa aqui, no meio de nenhum lugar.
Eu quero uma casa no meio de nenhum lugar, eu terei paciência e encontrarei o meu lugar.
• Explosions In The Sky – Home
Explosões no céu! Casa... Preciso tanto da minha casa, da minha vida. Preciso tanto de qualquer coisa que não sei explicar, preciso do tudo e do nada, e essa música resgata o meu tudo e o meu nada. Preciso da minha mãe, preciso da minha cama, da minha janela, tão longe e tão perto. Preciso de qualquer coisa que me faça lembrar novamente que ainda existem interstícios, que ainda existe esperança, fé (...) que amanhã vai amanhecer e eu vou lembrar daquele pôr-do-sol da minha janela, daquela minha força enorme de continuar, porque o barco pode estar furado, mas vou remar, remar, remar, remar, algum dia, com certeza, chegarei ao outro lado. Preciso de você que nunca encontrei, que um dia eu quis procurar, mas que desisti no primeiro momento... pois sei que você não está nessas caixas, nesses quadros. Você está entre, está nos interstícios. Preciso talvez de nenhum lugar onde mesmo assim eu me sinta em casa. Eu não quero essas paredes amarelas. Eu não quero entrar aqui e sentir que estou perdendo parte de mim, e às vezes pareço estar. Entenda, me alimento sentindo, sentindo intensamente. Tenho sede de sentir. Tenho fome de viver.
• Sigur Rós – Vidrar Vel Til Loftarasa
Fecho (ou abro) essa coletânea com Sigur Rós. Para mim, esse som é mais autêntico e mais visceral. Sigur Rós começa lá de dentro, percorre todos os seus sentidos, e enfim, chega aos seus ouvidos. O som baixo adquire uma força enorme com o passar do tempo e grita, grita, grita, como se um sonho fosse virar realidade a qualquer momento. Traduzo esse lugar como Sigur Rós. Começa lá de dentro, percorre tudo o que eu sou, e depois chega ao exterior. A força enorme significa a minha realização e a minha eventual partida. Talvez por isso, por esse ‘de-dentro-fora’, a minha sintonia com esse lugar seja tão difícil.
Mas não desisto, pois sei que chegarei a algum lugar, e que se for a nenhum lugar – ainda assim me sentirei em casa.
Tivemos um sonho, tivemos tudo...
12/06/2008
01/06/2008
Careful now
Longe demais para simplesmente esquecer que todo colorido tem um dolorido. Eu vou falar com calma para que você entenda (...)
Tenha cuidado agora, você vai se machucar, você vai machucar um outro alguém.
Tenha cuidado agora, você vai se machucar, você vai machucar um outro alguém.
31/05/2008
Freely
Hoje eu me declarei férias. Perdão, mas hoje, somente hoje, eu vou ter que quebrar com todas as estruturas. Hoje eu não quis acordar cedo. Hoje eu perdi estágio, academia, leitura. Hoje eu levantei da cama e pensei: eu quero e vou quebrar todas as minhas estruturas, sem risco de conseqüências.
Hoje eu quero me balançar em uma rede na beira de um mar maravilhoso, aquele azul reluzente e um pôr-do-sol quase que insinuante, me dizendo: “hoje você vai esquecer de tudo, até de você mesma.”.
Hoje eu quero um beijo daquela minha avó distante, daquele rapaz carente, daquela amiga ausente. Hoje eu vou escrever sem ter medo de me expor. Eu sempre escrevi, sempre tive essa mania de me desnudar a cada primeiro instante de dor ou de excitação. Meu medo sempre foi transparecer eu mesma aos outros.
Mas existem momentos que você deve parar e escutar, com atenção e paciência, sua própria voz.
Hoje a minha voz diz: “mesmo que tudo se acabe, mesmo que o céu, a terra, o sol, o ar... beirem a ruína, a quase que uma ruína esplendorosa, eu vou respirar.” Primeiro respirar após um coma.
Assim, ponho o som as alturas com a banda Explosions in the Sky, e começo a pensar, pensar, pensar, pensar, ai que dor de saudade vezenquando, aquela dorzinha assim de, que vontade de ficar com mamãe, de dizer bom dia, de preparar um café preto e eventualmente, até escutar as suas queixas e me zangar com a sua intempestividade. E eis que ela me liga neste momento, em quase que um entrelaçar de sentimentos, em que um pensa no outro e eles se encontram, mesmo que estejam longe, longe.
Assim, ponho o som as alturas com a banda Explosions in the Sky, e começo a pensar, pensar, pensar, pensar, ai que dor de saudade vezenquando, aquela dorzinha assim de, que vontade de ficar com mamãe, de dizer bom dia, de preparar um café preto e eventualmente, até escutar as suas queixas e me zangar com a sua intempestividade. E eis que ela me liga neste momento, em quase que um entrelaçar de sentimentos, em que um pensa no outro e eles se encontram, mesmo que estejam longe, longe.
Eu acredito nessas coisas. Aliás, eu acredito em muitas coisas. Eu acho válido, sim, válido, acreditar. Eu não queria ser daquelas pessoas que não acreditam nas pessoas, nas coisas, nos lugares. Eu gosto de ser assim, apesar de saber que muitas vezes me machuco com esse meu excesso de doçura.
Deve ser ruim, penso, desistir de tudo assim. Eu não – não desisto porque desistir não é nobre, e eu sou muito muito doce para desistir. Que seja doce.
Escrevendo isso, me lembro de um dos autores que gosto de ler, e que aliás, li um texto dele ontem. Nele dizia que havia um dragão que não conhecia o paraíso. Conclui que esse mesmo dragão, que morava com ele, também morava comigo. O meu dragão, por vezes, destrói aqueles velhos morangos da horta. Ele mofa meus pensamentos, me construindo e desconstruindo. Eu sinto falta dele todos os dias, e quando ele não vem, eu chego a não cuidar de mim. Hoje o meu dragão está comigo, eu sinto o cheiro de alecrim, e talvez por ele, eu esteja assim quebrando todas as estruturas. Ele não vem sempre. Ele quase não vem.
“Os dragões não permanecem. Os dragões são apenas a anunciação de si próprios. Eles se ensaiam eternamente, jamais estréiam. As cortinas não chegam a se abrir para que entrem em cena. Eles se esboçam e se esfumam no ar, não se definem. O aplauso seria insuportável para eles: a confirmação de que sua inadequação é compreendida e aceita e admirada, e portanto - pelo avesso igual ao direito - incompreendida, rejeitada, desprezada. Os dragões não querem ser aceitos. Eles fogem do paraíso, esse paraíso que nós, as pessoas banais, inventamos - como eu inventava uma beleza de artifícios para esperá-lo e prendê-lo para sempre junto a mim. Os dragões não conhecem o paraíso, onde tudo acontece perfeito e nada dói nem cintila ou ofega, numa eterna monotonia de pacífica falsidade. Seu paraíso é o conflito, nunca a harmonia.”
Talvez eu seja um dragão. Eu prefiro a luta da construção do que a aceitação do fingimento. Eu não sou positivista, de-fi-ni-ti-va-men-te. Eu procuro ver a negatividade como uma outra forma de se lidar com o mundo, e com ela, eu me desconstruo construindo. É na luta que eu me construo.
Escrevendo isso, me lembro de um dos autores que gosto de ler, e que aliás, li um texto dele ontem. Nele dizia que havia um dragão que não conhecia o paraíso. Conclui que esse mesmo dragão, que morava com ele, também morava comigo. O meu dragão, por vezes, destrói aqueles velhos morangos da horta. Ele mofa meus pensamentos, me construindo e desconstruindo. Eu sinto falta dele todos os dias, e quando ele não vem, eu chego a não cuidar de mim. Hoje o meu dragão está comigo, eu sinto o cheiro de alecrim, e talvez por ele, eu esteja assim quebrando todas as estruturas. Ele não vem sempre. Ele quase não vem.
“Os dragões não permanecem. Os dragões são apenas a anunciação de si próprios. Eles se ensaiam eternamente, jamais estréiam. As cortinas não chegam a se abrir para que entrem em cena. Eles se esboçam e se esfumam no ar, não se definem. O aplauso seria insuportável para eles: a confirmação de que sua inadequação é compreendida e aceita e admirada, e portanto - pelo avesso igual ao direito - incompreendida, rejeitada, desprezada. Os dragões não querem ser aceitos. Eles fogem do paraíso, esse paraíso que nós, as pessoas banais, inventamos - como eu inventava uma beleza de artifícios para esperá-lo e prendê-lo para sempre junto a mim. Os dragões não conhecem o paraíso, onde tudo acontece perfeito e nada dói nem cintila ou ofega, numa eterna monotonia de pacífica falsidade. Seu paraíso é o conflito, nunca a harmonia.”
Talvez eu seja um dragão. Eu prefiro a luta da construção do que a aceitação do fingimento. Eu não sou positivista, de-fi-ni-ti-va-men-te. Eu procuro ver a negatividade como uma outra forma de se lidar com o mundo, e com ela, eu me desconstruo construindo. É na luta que eu me construo.
Eu tenho interesses, claro, todos têm. Seria fácil se pudéssemos nos relacionar com as pessoas sem que esperássemos nada, mas tenho – temos – emoções. Seria fácil se pudéssemos produzir saberes sem o mínimo de subjetividade. Guarde isso, embora até às vezes doa: temos, tenho, tens – emoções, e é impossível se desfazer disso.
Eu não quero construir algo já visto. Não pelos outros, mas sim por mim mesma. Eu não quero ser a mesma, eu me inovo todos os dias, eu sou sempre uma nova, misturada com uma velha e uma futura.
Eu não quero construir algo já visto. Não pelos outros, mas sim por mim mesma. Eu não quero ser a mesma, eu me inovo todos os dias, eu sou sempre uma nova, misturada com uma velha e uma futura.
Eu vivo em um dinamismo: ação, construção, desconstrução, transformação. Mas não estou só, tenho os outros. Ajo, construo, desconstruo, transformo – não comigo mesma, mas em uma relação coletiva. Às vezes eu penso que me fechar é a melhor saída, mas escute, caro amigo, nunca será a melhor saída. Fugir de si mesmo – e dos outros – é mastigar, goela a baixo, morangos mofados. Eu não quero o mofo, eu quero o novo, e também não quero só o novo, quero o mofo, o novo, e tudo o mais – para não ser naquela velha rotina de ilusões, como diria meu amigo Felipe:
para me livrar de tanto mar / resolvi espairecer, aparecer sem avisar / pra não ser sempre na mesma rotina de ilusões
para me livrar de tanto mar / resolvi espairecer, aparecer sem avisar / pra não ser sempre na mesma rotina de ilusões
E é tudo isso que não me faz desistir, não só tudo isso, mas alguma parte, sim. ....Enfim, o papo tá legal, mas agora eu tenho um almoço para fazer: carne para cozinhar, temperar, arroz para esquentar, suco para preparar, e já são 11:09. Tenho estágio 13:00, estudo às 16:00, e preciso andar muito hoje para superar a perda da academia, e pensando assim até parece que o meu dragão foi embora, me fazendo pensar em todas essas obrigações novamente...
15/05/2008
..um tempo que refaz o que desfez

Ao som de Sigur Rós,
Penso, penso, penso, e já não sei onde vou chegar.... me perdi na estrada e não tenho mapa algum. Esse colorido-dolorido invadiu meu dia, espero não ter que me despedir dele. Tudo bem, o céu está explodindo... jogando flores por todos os lados, como as que havia desenhado.
Tá tudo bem, tá tudo bem... tento explicar para mim.
(esperanças luminosas se tornam realidade, enquanto nós caminhamos ao centro da cidade (..)
nós celebramos o dia, e um sonho distante nasce. escute nós mesmos tocando em ritmo para a música, ninguém parece escutar, isto é completamente diferente, nós vivemos em outro mundo onde nós nunca fomos invisíveis (..) nós faremos melhor da próxima vez, este é um bom começo)
Memórias de um dia. Um sorriso, uma abertura. Nós não somos invisíveis, nunca poderíamos ser. Mesmo que possa parecer triste, mesmo que você chore, mesmo mesmo mesmo, ainda assim existem esperanças luminosas.
Sigur Rós traz paz e reflexão para esse texto. Não sei encontrar palavras porque no momento tive uma vontade enorme de não ser invisível, mesmo sendo. Sei que é difícil, sei que lido com demandas psicológicas fortes, sei que é isso que vou me deparar até o resto da minha vida. Sei que preciso ter dentro de mim uma esperança luminosa, uma forte esperança que brilhe e contagie todas essas pessoas. Não queria manter distância, mas nós faremos melhor da próxima vez. Que nosso desenho, nossa pintura, nossos 'coloridos-doloridos' cheguem à você com uma energia enorme. Não perco a fé, não perca a fé. Minha doçura grita, te alertando para que não desista. Respire, precisamos respirar.. "a melhor coisa que Deus criou é haver todos os dias um novo dia..".
E fico me perguntando, depois de tanto escutar e tanto ver, qual o sentido. Sim, esse sentido que nós criamos, que procuramos e não achamos. Responde, por favor, qual é o sentido? Será que eu vou ter estomâgo o suficiente para aguentar tudo isso? Passei o dia inteiro me perguntando qual o sentido, qual o sentido, qual o sentido, me diz...
Eu queria tanto ajudar. Queria tanto poder fazer qualquer coisa. Talvez por isso me 'encontrei' nessa profissão. Eu quero muito ajudar, eu quero trazer uma fé de algum lugar e entregar em cada coraçãozinho doentinho. Eu sinto - intensamente - sinto, sinto, sinto, eu sou toda emoção, e jamais poderia me desligar disso.
Eu queria muito abraçar e transportar essa força, essa coisa que tem dentro de mim.. mas uma máscara me separa do seu rosto, e tudo o que posso fazer é olhar (...) sorrir timidamente escondida. Eu queria muito.
nós celebramos o dia, e um sonho distante nasce. escute nós mesmos tocando em ritmo para a música, ninguém parece escutar, isto é completamente diferente, nós vivemos em outro mundo onde nós nunca fomos invisíveis (..) nós faremos melhor da próxima vez, este é um bom começo)
Memórias de um dia. Um sorriso, uma abertura. Nós não somos invisíveis, nunca poderíamos ser. Mesmo que possa parecer triste, mesmo que você chore, mesmo mesmo mesmo, ainda assim existem esperanças luminosas.
Sigur Rós traz paz e reflexão para esse texto. Não sei encontrar palavras porque no momento tive uma vontade enorme de não ser invisível, mesmo sendo. Sei que é difícil, sei que lido com demandas psicológicas fortes, sei que é isso que vou me deparar até o resto da minha vida. Sei que preciso ter dentro de mim uma esperança luminosa, uma forte esperança que brilhe e contagie todas essas pessoas. Não queria manter distância, mas nós faremos melhor da próxima vez. Que nosso desenho, nossa pintura, nossos 'coloridos-doloridos' cheguem à você com uma energia enorme. Não perco a fé, não perca a fé. Minha doçura grita, te alertando para que não desista. Respire, precisamos respirar.. "a melhor coisa que Deus criou é haver todos os dias um novo dia..".
E fico me perguntando, depois de tanto escutar e tanto ver, qual o sentido. Sim, esse sentido que nós criamos, que procuramos e não achamos. Responde, por favor, qual é o sentido? Será que eu vou ter estomâgo o suficiente para aguentar tudo isso? Passei o dia inteiro me perguntando qual o sentido, qual o sentido, qual o sentido, me diz...
Eu queria tanto ajudar. Queria tanto poder fazer qualquer coisa. Talvez por isso me 'encontrei' nessa profissão. Eu quero muito ajudar, eu quero trazer uma fé de algum lugar e entregar em cada coraçãozinho doentinho. Eu sinto - intensamente - sinto, sinto, sinto, eu sou toda emoção, e jamais poderia me desligar disso.
Eu queria muito abraçar e transportar essa força, essa coisa que tem dentro de mim.. mas uma máscara me separa do seu rosto, e tudo o que posso fazer é olhar (...) sorrir timidamente escondida. Eu queria muito.
Penso, penso, penso, e já não sei onde vou chegar.... me perdi na estrada e não tenho mapa algum. Esse colorido-dolorido invadiu meu dia, espero não ter que me despedir dele. Tudo bem, o céu está explodindo... jogando flores por todos os lados, como as que havia desenhado.
Tá tudo bem, tá tudo bem... tento explicar para mim.
13/05/2008
oh yes, wait a minute mr. postman!

" you gotta wait a minute, wait a minute
you gotta check it and see, one more time for me"
Nada mais é igual, claro, óbvio, as coisas mudam. Eu só não aguento mais essa realidade plástica, líquida - efêmera - consumista. Essa revolução preguiçosa, esse ócio intelectual - produzirpublicarproduzirpublicarcurriculolattescêenêpêquê. Sim, estou cansada. De fato, tento não perder minhas esperanças de que devem existir pessoas que pensam - constantemente - nessa fugacidade dos sentimentos - emoções - subjetividade. Estamos tão preocupados na produção, no consumismo, que esquecemos a existência dos interstícios. Sim, a pós-modernidade dark boy.. não dá para ser pensada mais em blocos. Existem interstícios, bloco é coisa do passado, querido.
Só é uma pena que poucas pessoas ainda parem para pensar nisso...
08/05/2008
acordar, escovar os dentes - e tudo bem
mais um dia.
leia-se: acordar, escovar os dentes - e tudo bem, seguir em frente.
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