05/12/2008

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mas eu tenho muito medo das coisas indefinidas.

do talvez.

eu gosto de estabilidade. porque eu, por mim mesma, já sou inconstante demais.

oh well, okay

21/11/2008

oh and she's always dressed in white

De repente me deu uma vontade enorme de falar sobre qualquer coisa. De repente me deu raiva saber que só reclamo, reclamo. De repente eu quis ser diferente. De repente eu não quis, eu quis continuar e achar que ser assim valia a pena, que no final da estrada havia alguma recompensa.

Mas não há recompensa alguma, não há alegria alguma se não essa que você inventa todos os dias. É tudo invenção, é tudo coisa da sua cabeça, é tudo imaginação. Felizes são esses que conseguem inventar tudo colorido ao seu redor. Que conseguem semear todas as coisas bonitas, que conseguem não ser mais um, mas ser um.

Felizes daqueles que dizem ser felizes, ou julgam ser felizes, inventam a felicidade. Tristes aqueles que não conseguem mais inventar prazer; e não inventando, o mundo colorido se torna dolorido.

Felizes daqueles que encontraram a sua diversão. Os outros; pobre mortais; tristes; deprimidos; coitados, talvez nunca tenham encontrado a sua diversão, ou já perderam há tempos. Felizes aqueles que tem um rosto para beijar na sexta-feira à noite; um cabelo para fazer carinho. Felizes aqueles que não se preocupam com nada disso. Felizes [...] Tristes, felizes, tristes.

De fato, eu preciso encontrar o meu prazer em algum lugar. Eu olho ao meu redor e não consigo achar graça em nada, é como se todo o colorido previamente se tornasse gélido. Oh, ela sempre veste branco, [...]

O problema é em achar problema estar sozinho. O problema é não aceitar, não entender e não refletir o estar sozinho. O problema é que dói, e uma vez doído [...] já não se tem mais saída. Caminho sem volta.

O problema talvez seja achar problemas.
O problema talvez seja não se comprometer consigo mesmo.
Problema, problema [....] achar que tudo está se despeçando ao seu redor e que nada mais tem solução.
O problema pode ser o olhar [...] porque se a realidade te alimenta com merda, a mente pode te alimentar com flores, colega.

09/11/2008

#1

I'm caught in the symmetry of your mind,  but I'm not happier than you...


02/11/2008

Enough?

Sinto falta.


Da cama.
Do lençol.
Da roupa. 
Do computador.
Da estante. 
Do livro.
Do vibrante.
Da dor.
Do instante.

Sinto falta.

Sinto falta:

Da falta.
Da tinta.
Do amor.
Da vizinha.
Do carinho.


Sinto falta, sinto tanta falta. Às vezes acho que essa falta não se vai nunca. Tudo, sempre, alguma vez, ou a cada dia - alguma coisa falta. 
Falta em mim. Falta em mim você. Falta você em mim. Falta.

Falta qualquer coisa que me faça sentir. Falta sentir. Falta viver. Falta acordar. Falta, falta, falta, falta, quantas vezes tenho que repetir que falta, e que..... dói?
Dói e falta, arrasa, machuca, e falta.

Na falta de faltar alguma coisa eu sempre falto. 

E de todas as coisas eu só chego a uma conclusão: o verbo faltar sempre estará presente [...] O verbo e a conjugação.

11/10/2008

#60: notas de uma romântica suburbana


A dor não existe. Nada existe [...] e esse nada é muito mais tudo do que qualquer suposto tudo.

10/10/2008

Even so,

Tenho sido impulsiva, e meu humor tem mudado constantemente. Às vezes estou feliz, às vezes já não suporto mais. Queria saber suportar, ou julgar suportar.

Nos últimos dias tenho ouvido sempre a mesma coisa: "as pessoas que não pensam, que simplesmente não pensam, são as mais felizes". Não sei se essa é a minha felicidade, mas me sinto, no mínimo, fora-do-centro.

Vemos na faculdade o quanto certas pessoas, "sujeitos", "indivíduos", estão fora da norma aceita, fora do que se chama de normal. O não-normal então se torna "anormal", "esquisito", "louco", ou "doido": elas não podem, nem devem, se ocupar do meio social.

[...]

A rua, essa que passamos todos os nossos dias velozes, que temos medo, que apenas passamos, sem permanecer; se tornou não uma forma de existência, mas sim uma forma de ponte, passagem, não-estado.

Não estamos, e ainda julgamos estar. Não sentimos, e ainda julgamos sentir. Não somos, mesmo que suponhamos ser. Na verdade, eu não acredito em nada do que eles, ou vocês, ou até mesmo do que eu falo: não acredite, eles estão gravando e usando todas as formas de alienação (no estado de não ser). Eles estão te tirando de ti mesma. Eles não são eles, mesmo que afirmem que 2+2=4.

Pois não. Fico me perguntando porque 2+2=4, e não 2+2=5. Que tipo de lógica estamos submetidos, ou que tipo de lógica estamos nos deixando submeter? Toda hora estamos fingindo passividade quando na verdade tudo é ação - não no sentido matemático ou físico - mas no sentido filosófico da palavra.

Não adianta dizer que estou filosofando, que estou usando da destruição um meio de tentar abolir tudo e todos. Não adianta dizer que sabe e que entende, porque é bem mais do que isso, e... porque no fundo todo mundo quer ser igual.

O que eu sou? A diferença. O que eu quero ser? Eu quero ser igual, quero ter amigos e eu quero viver esse social. Por que é tão difícil ser diferente? Por que a diferença incomoda? Por que pensar incomoda?

Não, não fui eu que disse que sou a diferença. Foi uma criança de 12 anos que há mais de dois anos vai ao CAPS, que toma remédios para "superar" a diferença, e ainda diz, suavemente, que queria ser igual.

Um dia eu quis dizer e eu sempre vou dizer, um dia eu quis pensar, e uma vez pensado, me perdi no caminho e não sei voltar mais. Entreguei-me ao pecado de pensar, e agora já não sei mais me livrar, tornou vício.

Eu não quis ligar pras conseqüências reforçadoras ou não do meu pensar, eu só quis pensar e achar que de alguma forma seria diferente. Que seria diferente pensar no diferente. Que seria diferente pensar em mim. Que seria diferente todas as coisas [...] desde os primórdios até essa sacanagem ambulante de não-ser-não-estar-não-viver: amenizar.

Não sei amenizar: "sou toda coração, em todas as partes pulso."