30/04/2008

pensamentos insones

porque existe, antes de mais nada, a luta.
é na luta que eu me construo.

as semanas passaram rapidamente sem que eu percebesse o tempo. ah, tempo. confesso que me pego teorizando sobre ele - assim, o tempo - e até me perco nas palavras e não sei definir uma linearidade. você deve estar se perguntando o motivo de sempre me perguntar sobre o tempo, e eu respondo querido, que nem sempre o que a gente pensa é aquilo que a gente quer pensar. às vezes vem e vai, e quando percebemos já não sabemos mais voltar. você passou rápido nessas semanas, tempo. eu tive saudade de sentar nessa cadeira e escrever palavras não-lidas, não-ditas. tive saudade de me pegar pensando em você, tempo. você me mostrou que é preciso aproveitar todo segundo, que até dormir não faz sentido, e às vezes essa insônia, seu até amigo predileto, me domina de um modo que eu não sei explicar. eu não tive você esses dias, eu soube te suspender. eu soube respirar diferentemente. você voou. deparei-me com demandas psicológicas e biológicas muito fortes, e tive até medo de não suportar. mas é, senhores, desistir não é nobre.

é na luta que eu me construo. é nesse despertar diário às seis horas da manhã. é essa rotina, essa sincronicidade de acontecimentos, esses livros, essas esperas. definitivamente, me sinto só. tenho em mim os sonhos de uma quase-não-solidão, mas vi -sim- que por algum motivo - grave ou não - eu sou ímpar. ser ímpar não implica necessariamente ser só, ser ímpar é ser só para si mesmo. tive que me suportar, me aceitar, me aturar todos esses dias. estive só para mim mesma.

enfrentei situações difíceis, fiquei nervosa, ansiosa. bati na parede, esqueci, lembrei, gritei, até chorei. é na desconstrução que eu me trabalho. é na luta que eu me construo. é nisso, que chamamos de vida - que clichê - que eu me vivo. viver para si.

não se engane, caro amigo: tudo é uma rede de clichês.
isso não é novidade. nunca será.

21/04/2008

lazarus


my david, don't you worry.. this cold world is not for you, so rest your head upon me, i have strength to carry you....



19/04/2008

sonhos vazios de preenchimento

"me sinto só, mas mesmo assim contente então sorrir, vibrar, vencer e respirar.
pensando bem o que eu ganhei por todo esse tempo? lágrimas, vazio, dor, e emoção transgênica.. para sentir-se vivo outra vez.."



a mesma música sobre felicidade e muito anos de vida. qual será o meu desejo? será que esse ano ganho roupas ou então posso pedir brinquedos de novo? as crianças cresceram. eu não me sinto tão errada, eu vou fingir não entender e diante de suas concepções eu não vou argumentar. não me diga que eu perdi minha coragem, não me diga que me perdi em minhas contradições, só me entreguei às velhas lágrimas da verdade. tão vazios sonhos seus (ontem olhei para trás e percebi que o que fizemos foi em vão)

16/04/2008

tempus fugit

o tempo passa. o tempo voa. o tempo foge.


e quando você menos percebe tudo já foi quase embora. people come and go. estações passam. amigos vão, vem, ficam, voltam. a nossa primavera foi 'quase' perfeita. everything was nearly perfect. não, não. nada foi perfeito. tudo foi quase imperfeito. ou perfeitamente imperfeito. mas ah, não importa muito - perfeito, imperfeito - o tempo continua voando, o tempo foge. o tempo foge, o tempo foge. se você fugir agora, não sabe o que vai acontecer? tudo vai se perder. perdemos a primevera. o outono chegará. o inverno não será o mesmo. o tempo passa, o tempo voa, o tempo foge. tempo, tempo, tempo, tempo, tempo. "não, não, não, pára com isso de tempo, o tempo nem existe!". o tempo existe. e o tempo voa, passa e foge. não, não, não aceito reprovações. você acha mesmo que as coisas passam? ah, acho, tenho certeza que um dia nós quase fomos. quase fomos? o quê? quase fomos, entende? não. muito abstrato. se eu te falo assim sem rodeios, tu me rejeitarias. não fala assim. falo, é a verdade. pára. não páro, o tempo continua fugindo, no próximo segundo eu já 'quase' perdi tudo isso. me abraça. te abraço. me diz algo. não sei dizer. o tempo passa, o tempo voa, como você mesmo disse. qualquer movimento mudaria para sempre a história do tempo. não me movo. não se move. páro. estático. pare. eu preciso de alguém. todos precisam de alguém. mas eu preciso de você, é diferente. daqui um tempo você vai precisar de outra pessoa. mas. amor não é dependência. amor é escolha? é. isso. tá. posso ir? pode. tem certeza? o tempo passa, o tempo voa, o tempo foge. fica. fico.

05/04/2008

tomar um banho por dentro

Explosions in the Sky. Tori Amos. As guitarras soam. O som está no máximo. Está aumentando, a qualquer momento vai explodir. Sinto transbordar. Sinto o chão desabar. Tomar um banho frio por dentro. Esquecer tudo, desde o começo. Esquecer toda a dor. Esquecer todas as pessoas. Por que eu estou procurando coisas alheias a mim? This cold world is not for you, my dear...

Tomar um banho de chuveiro por dentro. Um banho frio. Tirar tudo, desde o começo, desde o passado, desde até o futuro. É hora de me fazer, eu sei. Chorar por tudo que se perdeu.. por tudo o que ameaçou e não chegou a ser, mas antes de mais nada, tomar um banho de chuveiro por dentro.
Tirar tudo.
A vida é agora, aprende.

31/03/2008

"Vinte primaveras", como diria minha avó.

entrar com tudo na década dos "vinte" me assusta. e penso, cansada: daqui há 2 anos e meio me formo, daqui há cinco ou seis anos já estou no mestrado, daqui uns oito anos farei doutorado?
tudo tão rápido, e ainda me sinto como uma menina no auge dos seus dezesseis anos. me sinto uma adolescente confusa, ainda construindo o que virá pela frente. assusta me ver crescendo tão rápido, me ver na faculdade praticamente construindo toda uma nova vida. me assusta morar sozinha, cozinhar todos os dias, passar pano e varrer todos os dias. me assusta ter que cumprir responsabilidades que antes eu não tinha.
me assusta saber que todos os meus atos têm consequências, e o mais importante de tudo isso: todos os meus atos profissionais vão ter um peso definitivo na vida de alguém. penso, penso, penso, não quero crescer, não agora, me deixa viver um pouco mais. eu que queria tanto ser "gente", agora peço por favor, "me deixem ser criança". eu que tanto queria uma carteira de motorista, um atestado de dezoito anos, eu que queria tanto liberdade, agora me sinto como uma criança amedrontada.
o dia começou normal, e quando eu acordei já nem pensei: "poxa, esse é meu aniversário, que legal!". eu pensei: "poxa, vinte anos, isso tem um peso".
uma das ligações de hoje valeu a pena escutar e refletir. era meu pai. ele disse para eu não perder a fé, porque nada se consegue com imediatismo. eu não sei o porquê, mas parece que ele entendeu o que eu estava precisando escutar, e mesmo sem me olhar, me disse isso. "olha, minha filha, eu passei quinze anos lutando muito. não perca a fé nunca, sempre acredite em você, porque você é mais do que tudo isso que você pensa que é. tenha paciência e as coisas vão chegar para você.."
sim, não perca a fé. não pai, não perderei a fé. tem coisa mais auto-destrutiva do que insistir sem fé nenhuma? não tem, sabe? se não é dessa vez, vai ser da próxima. isso sempre vai ser uma eterna luta, uma eterna provação. nem que eu tenha várias comas por dia, por meses, por anos, logo após eu vou ter um respirar. first breath after coma, just. não perco a fé, não perca a fé.
que venha os anos vinte's!