Algo certamente assim:
"sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo meu deus como você me doía vezenquando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada só olhando olhando e pensando meu deus ah meu deus como você me dói vezenquando."
Porque se não doesse não teria graça. Não teria salvamento. Não teria saudade. Não teria gosto. Não seria doce, não seria doce. Que seja doce, meu bem. Eu sei que você está fugindo de todas as formas de falta – da doçura, da saudade, do encontro. Ah, que cotidiano fatídico estamos atravessando. Assim, as ruas, as pessoas, a chuva, a chuva! Nesse exato momento cai uma chuva fina. Para uma cidade de praticamente 35ºC, no meio do sertão central, isso é praticamente impossível, meio impossível. Talvez ela esteja caindo para me fazer lembrar da nossa chuva fina. Talvez não. Talvez seja uma ilusão, mas de fato agora estou pensando em você. Thinking, thinking, ah, como você me dói vezenquando.


