"Só não saberás nunca que neste exato momento tens a beleza insuportável da coisa inteiramente viva. Como um trapezista que só repara na ausência da rede após o salto lançado, acendes o abajur do canto da sala depois de apagar a luz mais forte. E começas a falar."
..Hum, isso é difícil. isso é muito difícil. Como sempre, as palavras do Caio, meu Deus, o homem das minhas palavras, ele não existe. Eis que ele diz:
"[...] mas dirás assim, por exemplo, como você sabe, sim como você sabe, a gente, as pessoas, infelizmente têm, temos, essa coisa, emoções, mas te deténs, infelizmente? o outro talvez perguntaria por que infelizmente? então dirás rápido, para não desviar-te demasiado do que estabeleceste, qualquer coisa como seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente, insistirás, infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos - emoções."
Talvez por isso eu não me censure tanto. É, as pessoas realmente esperam coisas que talvez não correspondam ao que o outro deseja. Mas sim, tenho, ou temos - emoções. Eu sei que espero mil coisas de ti, assim, como quem sabe - não some? Também sei que isso é complicado, que isso é o que eu desejo, e talvez não possa corresponder ao que o outro deseja. Mas tenho emoções, insisto - sempre. Não sei dizer o que eu sinto quando essas coisas acontecem, acho que uma mesclagem de insegurança com saudade, dor, medo. Não sei lidar com essas coisas - não sei se consigo. Acho que sempre vou ser como o Caio - blue and lonely. Deixe que a loucura escorra em tuas veias, sim Caio, eu deixo, já deixei faz tempo, e talvez ela esteja escorrendo em minhas veias. Eles - os outros - já não sabem, já não conhecem, já não sentem. Não, eu não vou mais falar sobre os poços, eu acho que cansei de versar sobre a minha condição...
Se pudesse sairia voando por aí, totalmente sem destino, como se em cada nova esquina um mundo de possibilidades se abrisse para mim.
Estou cansada, quase sem forças para continuar, penso em continuar quase que para desistir, talvez você não entenda mas - temos, tenho - emoções.
Talvez esteja pedindo demais, a Fome, em F maiúsculo, e é como se há cada novo segundo você se distanciasse mais, não estou mais vendo, não enxergo mais.
Desculpa amor, mas tenho Fome, em F maiúsculo. Não estou acostumada com o amor, já perdi toda a noção de quase todas as coisas, só me acostumei com aquela velha condição de blue and lonely.
E o que eu sinto não sei dizer.
"Boas e bobas, são as coisas todas que penso quando pensoem você. Assim : de repente ao dobrar uma esquina dou de cara com você que me prega um susto de mentirinha como aqueles que as crianças pregam uma nas outras. Finjo que me assusto, você me abraça e vamos tomar um sorvete, suco de abacaxi com hortelã ou comer salada de frutas em qualquer lugar. Assim: estou pensando em você e o telefone toca e corta meu pensamento e do outro lado do fio você me diz: estou pensando tanto em você. Digo eu também, mas não sei o que falamos em seguida porque ficamos meio encabulados, a gente tem muito poder de parecer ridículos melosos piegas bregas românticos pueris banais. Mas no que eu penso, penso também que somos mesmo meio tudo isso, não tem jeito, e tudo que vamos dizendo, quando falamos no meu pensamento, é frágil como a voz de Olivia Byington cantando Villa-Lobos, mais perto de Mozart que de Wagner, mais Chagal que Van Gogh, mais Jarmush que Wim Wenders, mais Cecília Meireles que Nélson Rodrigues. Tenho trabalhado tanto, por isso mesmo talvez ando pensando assim em você. Brotam espaços azuis quando penso. No meu pensamento, você nunca me critica por eu ser um pouco tolo, meio melodramático, e penso então tule nuvem castelo seda perfume brisa turquesa vime. E deito a cabeça no seu colo ou você deita a cabeça no meu, tanto faz, e ficamos tanto tempo assim que a terra treme e vulcões explodem e pestes se alastram e nós nem percebemos, no umbigo do universo. Você toca na minha mão, eu toco na sua. Demora tanto que só depois de passarem três mil dias consigo olhar bem dentro dos seus olhos e é então feito mergulhar numas águas verdes tão Cristalinas que têm algas na superfície ressaltadas Contra a areia branca do fundo. Aqualouco, encontro pérolas. Sei que é meio idiota, mas gosto de pensar desse jeito, e se estou em pé no ônibus solto um pouco as mãos daquela barra de ferro para meu corpo balançar como se estivesse a bordo de um navio ou de você. Fecho os olhos, faz tanto bem, você não sabe. Suspiro tanto quando penso em você, chorar só choro às vezes, e é tão freqüente. Caminho mais devagar, certo que na próxima esquina, quem sabe. Não tenho tido muito tempo ultimamente mas penso tanto em você que na hora de dormir vezenquando até sorrio e fico passando a ponta do meu dedo no lóbulo da sua orelha e repito repito em voz baixa te amo tanto dorme com os anjos. Mas depois sou eu quem dorme e sonha, sonho com os anjos. Nuvens, espaços azuis, pérolas no fundo do mar. Clack! como se fosse verdade, um beijo."
"[...] mas dirás assim, por exemplo, como você sabe, sim como você sabe, a gente, as pessoas, infelizmente têm, temos, essa coisa, emoções, mas te deténs, infelizmente? o outro talvez perguntaria por que infelizmente? então dirás rápido, para não desviar-te demasiado do que estabeleceste, qualquer coisa como seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente, insistirás, infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos - emoções."
Talvez por isso eu não me censure tanto. É, as pessoas realmente esperam coisas que talvez não correspondam ao que o outro deseja. Mas sim, tenho, ou temos - emoções. Eu sei que espero mil coisas de ti, assim, como quem sabe - não some? Também sei que isso é complicado, que isso é o que eu desejo, e talvez não possa corresponder ao que o outro deseja. Mas tenho emoções, insisto - sempre. Não sei dizer o que eu sinto quando essas coisas acontecem, acho que uma mesclagem de insegurança com saudade, dor, medo. Não sei lidar com essas coisas - não sei se consigo. Acho que sempre vou ser como o Caio - blue and lonely. Deixe que a loucura escorra em tuas veias, sim Caio, eu deixo, já deixei faz tempo, e talvez ela esteja escorrendo em minhas veias. Eles - os outros - já não sabem, já não conhecem, já não sentem. Não, eu não vou mais falar sobre os poços, eu acho que cansei de versar sobre a minha condição...
Se pudesse sairia voando por aí, totalmente sem destino, como se em cada nova esquina um mundo de possibilidades se abrisse para mim.
Estou cansada, quase sem forças para continuar, penso em continuar quase que para desistir, talvez você não entenda mas - temos, tenho - emoções.
Talvez esteja pedindo demais, a Fome, em F maiúsculo, e é como se há cada novo segundo você se distanciasse mais, não estou mais vendo, não enxergo mais.
Desculpa amor, mas tenho Fome, em F maiúsculo. Não estou acostumada com o amor, já perdi toda a noção de quase todas as coisas, só me acostumei com aquela velha condição de blue and lonely.
E o que eu sinto não sei dizer.
"Boas e bobas, são as coisas todas que penso quando penso


