05/11/2007

Tempo de delicadeza

"Mato com delicadeza. Faço chorar delicadamente.
E me deleito. Inventei o carinho dos pés; (...)
Sou um meigo energúmeno.
Não sou bom nem mau: sou delicado. Preciso ser delicado.
Porque dentro de mim mora um ser feroz e fratricida como um lobo."

Está aí: porque somos ferozes precisamos ser delicados. Os que não puderem ser puramente delicados, que o sejam ferozmente delicados.
Houve um tempo em que se era delicado. E Rimbaud, que aos dezessete anos já tinha feito sua obra poética, é quem disse um dia: "Por delicadeza, eu perdi minha vida".


Tempo de delicadeza - Affonso Romano de Sant'Anna