
Meu Deus, como amar é bobo, como amar é bobo. Como se ver amando é bobo, simplesmente. Fazia tempo que não sentia essa coisa de amar, de achar que tudo é colorido, desde a nuvem branca até o céu cinza, possivelmente chuvoso. Como é bobo ouvir uma música e ficar pensando, essa parece, essa não parece, nossa, essa é a nossa cara! Como é bobo pensar não mais em mim, mas em nós. Como o medo vem, assim, meio misturado numa nostalgia sem dó nem piedade. Como nos perdemos pensando no amor - em suas múltiplas fórmulas de se atingir a felicidade, simplesmente, a felicidade. Sentir que a vida pode ser obviamente mais do que isso, que sair de casa já é se aventurar. Ah, como a minha querida amiga Lara estava certa em todos os segundos, quando disse que depois de Fulano, vai ter Beltrano, Cicrano, ou qualquer ano's que seja. No momento, naquele exato momento, parece ser tudo tão grande, parece tudo mais tudo tão forte que a gente realmente chega a pensar: e se eu não amar mais ninguém na vida? Eu sei, eu sei sempre tem aquela pessoa que marca a gente para sempre, claro, sempre tem, mas virão outros, acredite.
Eu sei que daqui uns dias tudo pode se acabar, e a promessa de amor quase eterno chegar ao fim. Eu sei que vou sofrer, vou pensar que nada dá certo para mim, nunca dá. Eu tenho medo disso acontecer, de simplesmente se esvair, mas pelo menos no final eu vou saber que tive um encontro inesquecível, que o mundo conspirava ao nosso favor, mesmo que por só um momento. Que delírio, que amor, você. Tudo em você era (e continua sendo), lindo. Até o modo de não falar, de silenciar, de me olhar, de me paralisar. Até no jeito que toma o sorvete, que balança as pernas - nervosamente- e nessas horas a vida era tão, mais tão belo. Quando te deixei ir, quando nos deixamos ir, você disse que tinha tanta coisa para falar, mas que simplesmente não sabia como. E doía em mim, em você, talvez em nós, o momento da nossa partida e eventual separação. Você deve ser minha fonte de inspiração, minha fonte de sobrevivência, ainda que por algum momento. Não importa, amor, simplesmente não importa, se no final das contas as coisas não derem certo. Tentei, tentamos, e para sempre vou me lembrar daquele domingo, daquele caminho, daquele pôr-do-sol, daquele vento, daquelas andorinhas, do seu jeito de falar, de gesticular, de me olhar, de me deixar sem graça, de arrumar o cabelo e dizer que fica sem paciência. De repente, não mais que de repente, amor, todo esse mundo feio e sujo, se tornou assim super lindo, super colorido. Confesso que tenho medo de perder tudo isso que, em apenas alguns dias, consegui. Mas toda vez que penso nisso, tento colocar na minha cabeça que foi tão único, que eu poderia trocar mil encontros sem graça por esse único encontro, por esse único amor.
"You and me alone, sheer simplicity"..


