
Nos últimos tempos tenho assistido filmes que me incomodaram bastante. Muitas pessoas se perguntam: mas [...] por que você assiste filmes que angustiam e incomodam? Eu diria: porque não me incomoda me angustiar ou incomodar. É muito fácil fechar os olhos, fingir que está tudo bem e que, aos poucos, tudo vai estar no seu devido lugar.
Pois eu sou exatamente o tipo de pessoa que odeia as coisas nos seus devidos lugares. Acho que por esse motivo adoro esses filmes e esses livros que tanto me deixam de cabeça pro ar, que tanto me ensinam não saber o que vai acontecer no instante seguinte. Eu não tenho certezas, não tenho verdades.
Talvez tudo seja difícil demais para mim por causa desse comportamento tolo, impulsivo, extensivo, irracional, sensível, intenso. Alguns podem chamar esse comportamento de infantil, [...] já eu procuro não qualificar ele por palavras, mas entender por ações.
Começo a entender agora um pouco do que eu sempre busquei, apesar de não ser tão inteligível assim. A grande questão que se instala em mim é não entender, não aceitar, não me acomodar, com as escolhas que já são previamente cedidas a mim. Eu não. Existe uma diferença clara entre escolher o que já me é dado, e partir de outro lugar para escolher o que eu quero, mas para maioria das pessoas é difícil entender isso.
Eu quero mais. Eu sempre quis mais, eu nunca estou satisfeita com o pouco. Eu tenho Fome, não simples "fome" com f minúsculo, eu tenho Fome com F maiúsculo, (também sou claramente "exagerada"). Eu não quero pouco amor, eu não quero pouca paixão, eu não quero pouca atenção, eu não quero pouco carinho. Eu não quero pela metade, eu quero completo. É claro, porém, que a completude não existe. É apenas mais um recurso de linguagem inventado com a tentativa de traduzir, decodificar, sentimentos em palavras, mas não, não existe.
Eis que chego ao âmago da questão: quanto vale viver assim? Dois filmes me trouxeram até essa pergunta: into the wild, marley & me. Primeiramente, recuso-me a traduzir os filmes (nota de rodapé: é triste saber o quanto as traduções brasileiras são ridículas).
Apesar de serem filmes diferentes e se destinarem também a públicos diferentes, são filmes que me levaram a pensar o quanto vale a pena "nascer-crescer-estudar-casar-engravidar". O roteiro do filme está previamente produzido, só basta que você seja pelo menos um pouco bom para seguir todas as regras.
Into the wild fala um pouco sobre esse roteiro de vida: o quanto você pode passar a se acomodar, e o quanto você pode passar a quebrar completamente todas as regras. Nesse filme, o protagonista propôs a si uma maneira de viver que não precisasse de duas coisas provavelmente vitais à nossa civilização: dinheiro e relacionamentos. Ele experimentou uma sensação de "liberdade máxima, absoluta".
Eu me pergunto muito se conseguiria quebrar tanto as regras assim, mas provavelmente não. No fundo, eu não peço nada além de paz. Escrevendo essas palavras me lembro novamente do Caio F, em um dos seus trechos: "... tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, não me venha com essas história de atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais, nunca tive porra de ideal nenhum, só queria era salvar a minha, veja só que coisa mais individualista elitista, capitalista, só queria ser feliz, cara."
O outro filme (marley & me) trouxe um contraponto interessante. Mostra o quanto o dever materno pode acomodar nossos corações, nossos sonhos, nossos objetivos. Mostra o quanto nós procuramos um ideal dentro de nós, o quanto procuramos uma desculpa para ter que fugir de tudo, para aceitar o que já está previamente dado a mim.
De tudo isso que falei agora só tirei uma conclusão: eu não sei bem o que é liberdade, mas tenho certeza que ela não tem nada a ver com o roteiro previamente produzido. De tudo isso que escrevi só acho que deixarei de alguma forma alguma marca nessa terra, nesse mundo. De tudo isso, só me resta uma certeza temporária: eu não vou desistir, algum dia eu me encontro, eu te encontro. Algum dia vai mudar, algum dia vai mudar.
Pois eu sou exatamente o tipo de pessoa que odeia as coisas nos seus devidos lugares. Acho que por esse motivo adoro esses filmes e esses livros que tanto me deixam de cabeça pro ar, que tanto me ensinam não saber o que vai acontecer no instante seguinte. Eu não tenho certezas, não tenho verdades.
Talvez tudo seja difícil demais para mim por causa desse comportamento tolo, impulsivo, extensivo, irracional, sensível, intenso. Alguns podem chamar esse comportamento de infantil, [...] já eu procuro não qualificar ele por palavras, mas entender por ações.
Começo a entender agora um pouco do que eu sempre busquei, apesar de não ser tão inteligível assim. A grande questão que se instala em mim é não entender, não aceitar, não me acomodar, com as escolhas que já são previamente cedidas a mim. Eu não. Existe uma diferença clara entre escolher o que já me é dado, e partir de outro lugar para escolher o que eu quero, mas para maioria das pessoas é difícil entender isso.
Eu quero mais. Eu sempre quis mais, eu nunca estou satisfeita com o pouco. Eu tenho Fome, não simples "fome" com f minúsculo, eu tenho Fome com F maiúsculo, (também sou claramente "exagerada"). Eu não quero pouco amor, eu não quero pouca paixão, eu não quero pouca atenção, eu não quero pouco carinho. Eu não quero pela metade, eu quero completo. É claro, porém, que a completude não existe. É apenas mais um recurso de linguagem inventado com a tentativa de traduzir, decodificar, sentimentos em palavras, mas não, não existe.
Eis que chego ao âmago da questão: quanto vale viver assim? Dois filmes me trouxeram até essa pergunta: into the wild, marley & me. Primeiramente, recuso-me a traduzir os filmes (nota de rodapé: é triste saber o quanto as traduções brasileiras são ridículas).
Apesar de serem filmes diferentes e se destinarem também a públicos diferentes, são filmes que me levaram a pensar o quanto vale a pena "nascer-crescer-estudar-casar-engravidar". O roteiro do filme está previamente produzido, só basta que você seja pelo menos um pouco bom para seguir todas as regras.
Into the wild fala um pouco sobre esse roteiro de vida: o quanto você pode passar a se acomodar, e o quanto você pode passar a quebrar completamente todas as regras. Nesse filme, o protagonista propôs a si uma maneira de viver que não precisasse de duas coisas provavelmente vitais à nossa civilização: dinheiro e relacionamentos. Ele experimentou uma sensação de "liberdade máxima, absoluta".
Eu me pergunto muito se conseguiria quebrar tanto as regras assim, mas provavelmente não. No fundo, eu não peço nada além de paz. Escrevendo essas palavras me lembro novamente do Caio F, em um dos seus trechos: "... tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, não me venha com essas história de atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais, nunca tive porra de ideal nenhum, só queria era salvar a minha, veja só que coisa mais individualista elitista, capitalista, só queria ser feliz, cara."
O outro filme (marley & me) trouxe um contraponto interessante. Mostra o quanto o dever materno pode acomodar nossos corações, nossos sonhos, nossos objetivos. Mostra o quanto nós procuramos um ideal dentro de nós, o quanto procuramos uma desculpa para ter que fugir de tudo, para aceitar o que já está previamente dado a mim.
De tudo isso que falei agora só tirei uma conclusão: eu não sei bem o que é liberdade, mas tenho certeza que ela não tem nada a ver com o roteiro previamente produzido. De tudo isso que escrevi só acho que deixarei de alguma forma alguma marca nessa terra, nesse mundo. De tudo isso, só me resta uma certeza temporária: eu não vou desistir, algum dia eu me encontro, eu te encontro. Algum dia vai mudar, algum dia vai mudar.


