11/10/2008

#60: notas de uma romântica suburbana


A dor não existe. Nada existe [...] e esse nada é muito mais tudo do que qualquer suposto tudo.

10/10/2008

Even so,

Tenho sido impulsiva, e meu humor tem mudado constantemente. Às vezes estou feliz, às vezes já não suporto mais. Queria saber suportar, ou julgar suportar.

Nos últimos dias tenho ouvido sempre a mesma coisa: "as pessoas que não pensam, que simplesmente não pensam, são as mais felizes". Não sei se essa é a minha felicidade, mas me sinto, no mínimo, fora-do-centro.

Vemos na faculdade o quanto certas pessoas, "sujeitos", "indivíduos", estão fora da norma aceita, fora do que se chama de normal. O não-normal então se torna "anormal", "esquisito", "louco", ou "doido": elas não podem, nem devem, se ocupar do meio social.

[...]

A rua, essa que passamos todos os nossos dias velozes, que temos medo, que apenas passamos, sem permanecer; se tornou não uma forma de existência, mas sim uma forma de ponte, passagem, não-estado.

Não estamos, e ainda julgamos estar. Não sentimos, e ainda julgamos sentir. Não somos, mesmo que suponhamos ser. Na verdade, eu não acredito em nada do que eles, ou vocês, ou até mesmo do que eu falo: não acredite, eles estão gravando e usando todas as formas de alienação (no estado de não ser). Eles estão te tirando de ti mesma. Eles não são eles, mesmo que afirmem que 2+2=4.

Pois não. Fico me perguntando porque 2+2=4, e não 2+2=5. Que tipo de lógica estamos submetidos, ou que tipo de lógica estamos nos deixando submeter? Toda hora estamos fingindo passividade quando na verdade tudo é ação - não no sentido matemático ou físico - mas no sentido filosófico da palavra.

Não adianta dizer que estou filosofando, que estou usando da destruição um meio de tentar abolir tudo e todos. Não adianta dizer que sabe e que entende, porque é bem mais do que isso, e... porque no fundo todo mundo quer ser igual.

O que eu sou? A diferença. O que eu quero ser? Eu quero ser igual, quero ter amigos e eu quero viver esse social. Por que é tão difícil ser diferente? Por que a diferença incomoda? Por que pensar incomoda?

Não, não fui eu que disse que sou a diferença. Foi uma criança de 12 anos que há mais de dois anos vai ao CAPS, que toma remédios para "superar" a diferença, e ainda diz, suavemente, que queria ser igual.

Um dia eu quis dizer e eu sempre vou dizer, um dia eu quis pensar, e uma vez pensado, me perdi no caminho e não sei voltar mais. Entreguei-me ao pecado de pensar, e agora já não sei mais me livrar, tornou vício.

Eu não quis ligar pras conseqüências reforçadoras ou não do meu pensar, eu só quis pensar e achar que de alguma forma seria diferente. Que seria diferente pensar no diferente. Que seria diferente pensar em mim. Que seria diferente todas as coisas [...] desde os primórdios até essa sacanagem ambulante de não-ser-não-estar-não-viver: amenizar.

Não sei amenizar: "sou toda coração, em todas as partes pulso."

28/09/2008

Back to the normal life.

É, moça. São dois projetos, um laboratório, uma monitoria, nove disciplinas obrigatórias e optatórias, e ainda um monte de rosto que eu gostaria de passar o dia inteiro sem ver. 

Volte pra esse inferno.


23/09/2008

sometimes i could cry for miles, but..


Porque parte de mim pede sim. 

"Aguentarei enquanto puder, mas é verdade que as forças já  me estão a faltar, às vezes dou por mim a querer ser cega para tornar-me igual aos outros, para não ter mais obrigações do que eles, [...] Irei até onde for capaz, não posso prometer mais." 

Ensaio sobre a Cegueira. 


05/09/2008

Ser multidão ou não fazer parte de algo?




Mundo fantasma. Mundo fantasma! Mundo, mundo, mundo fantasma! Parece ridículo, muito ridículo isso que eu estou falando, mas não me sinto parte de algo. Eu não me sinto parte de algo quando estou fora do meu quarto. Eu não me sinto parte de algo quando subo aqueles degraus e sigo em direção aquela sala onde "superficialmente" as pessoas debatem. Eu não me sinto, e por não me sentir, talvez, quase sempre ou sempre, as pessoas possam rir de mim.


Riam de mim, seus malvados, porque eu sou a dama da noite, sim, aquela, que talvez um dia quem sabe Caio F. escreveu. Riam de mim, mundo fantasma, mundo hipócrita, mundo falso! O quê? Vocês estão me dizendo que estão realizando uma formação c-r-í-t-i-c-a? Oh what! What a fuck, que porcaria de formação vocês estão fazendo? "Pegue um dinheiro e seja feliz, querida". Sim, eu pego um dinheiro porque é inevitável fazer parte do consumismo capitalista, não posso ser ridícula ao falar que não [...] mas daí fazer de mim uma reprodução de idéias, reprodução de vestimentas, reprodução de palavras, s-i-m-p-l-e-s cópia? Não, querida, ria de mim, nas minhas costas, na minha frente, ao meu lado, ria de mim! [...] Não sou eu que vou mendigar palavras, não sou eu que vou viver de mentiras.


[Desabafo]


Pronto, terminei. Agora estou mais aliviada e posso falar um pouco sobre essa explanação. De fato, estou um pouco decepcionada com o desandar da minha formação acadêmica por causa de certas pessoas que não estão querendo problematizar as questões.


Veja bem, eu sou sim uma egoísta que só pensa em mim, porque não sei, não consigo, não sinto, não me sinto parte disso. Posso estar sendo radical, não nego e nem preciso dizer que não sou radical, porque quando os pobres coitados dizem isso [...] ah mundo, eles não sabem o que querem dizer. Se ao menos soubessem que radical se refere aquele que vai à raiz, a origem.

Posso até estar desmerecendo o conhecimento dos outros, mas não ligo, que se foda você e seu mundinho, não ligo mesmo, eu não sou multidão, eu não quero ganhar 4.000 por mês e sentir que estou cumprindo o meu dever, colega.

Algum dia, quem sabe, talvez, você vai abrir seus olhos e conhecer a outra parte do mundo. Não faço parte disso, não gosto disso, não suporto isso e nunca vou suportar, apesar de aceitar e respeitar esse mundo fantasma. Aceito e respeito, mas não gosto nem suporto.

E chega. Chega, digo mais uma vez chega! Chega de falsos moralismos, companheirismos e palavras do tipo: somos todos unidos.

[Estou desabafando novamente]

Ok, parei. Então, como ia dizendo, estou meio decepcionada, mas eu sei que isso sempre vai acontecer. Abaixando um pouco a minha bola, e falando sinceramente e fragilmente agora, tenho medo de nunca poder fazer parte de algo. Tenho medo de não me sentir fazendo parte de alguém. No fundo eu tenho medo de ficar sozinha. De restar.

Eu tenho medo, você entende? Eu tenho medo das mesmas histórias se repetindo, dos mesmos amores esvaindo, do mesmo mundo fantasma. Eu tenho medo da mesmisse e tento buscar minha emancipação, mas onde, onde estou?

Eu quero sair daqui, sabe? Eu tenho vontade de ir embora daqui. Eu tenho vontade de correr o mais longe que puder, sem precisar avisar. Mas eu tenho medo....

(então me abraça forte e me diz mais uma vez que já estamos distantes de tudo..)

24/08/2008

What am I looking for?







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