25/07/2008

Jeff Buckley



É incrível como esse homem me faz chorar com tanta facilidade...

24/07/2008

Sonhos #1

de um longo tempo em outro tempo
Ele sabia que só seria a very very good person se vivesse na ficção. Ele construia histórias através do tempo, ele destruia histórias quando lhe conviesse. Ele não se preocupava com a sua perdição, salvo engano as horas que estava sozinho. Talvez, ele pudesse falar, algum dia quem sabe, how fuck this! are me a favorite person of nobody?

Mas não, leitor. Só porque ele perdeu não significa que ele está perdido, não significa que ele vai parar, porque ele não pararia. Uma vez ele perdeu a única coisa que ele tinha: a criatividade das suas idéias (...) e era como se ele tivesse perdido a si mesmo.

O que ele quis dizer não foi exatamente isso, e o que me proponho a fazer não é desconstruí-lo, não, não, seria por demais insólito. No seu último livro ele falou sobre um sonho, um sonho em um outro tempo.
Ele nunca havia pensado sobre as questões existenciais de amor ou desamor, tristeza ou felicidade, prazer ou desprazer. Ele ia vivendo como ia dando, e depois ia tentando criar toda a sua realidade intrapsíquica em um mundo colorido-dolorido ficcional. Porém (....) o inevitável aconteceu: um sonho.

don't leave the light on, baby (dream #1)

'como poderia sonhar com uma coisas dessas? acordei com meu corpo suando, meus olhos quase em lágrimas, meus cabelos bagunçados e um ar de: hey, the dream is over. a pior sensação de um sonho bom é ter que acordar para realidade.

eu nunca tinha pensado que a minha vida poderia ser análoga a um sonho.. até que um dia eu sonhei. mas sobre o que exatamente se tratava o sonho? (...)

era férias. eu estava partindo junto a vários colegas rumo a qualquer praia. lembro-me que cheguei morrendo de fome, provavelmente os outros também estavam, pois pediram uma comida estranha à domicílio que vinha em uma ambulância. na fome eu nem lembrei da ambulância, apenas pensei em comer tudo para em seguida ir ao mar. eu gostava de ir sozinho ver o mar, era mágico! pensei, tanta água, tanta água, o sertão quem sabe deve ser o mar, ou o mar é sertão, com a diferença que um é oposto ao outro.

ah, tudo estava tão normal até o momento em que ela chegou... meus olhos paralisaram, meu corpo tremeu inteiro, e os seus olhos me perseguiam de uma forma que não sei explicar. então, logo depois, o impacto veio: um dos colegas me apresentou
ela e o seu respectivo namorado. oh god, only shit!... senti meu rosto apagar com a quase descoberta de um amor.

apesar de ter consciência da ponte que nos separava, ela continuava a me perseguir. ela me olhava sem parar, e oh Deus, eu tentei muito, eu tentei fugir de todas as formas que imaginei, mas foi um fracasso. existem coisas que estão destinadas a ser, pensei (...) talvez estavámos destinados a ser.

todos comentavam dos nossos olhares e da nossa aparente "frieza" em não nos importar com ninguém. cada segundo que passava eu estava mais invadido, e ela, mais invasora. horas passaram... até que enfim ela pudesse fugir do seu namorado. ela veio em minha direção, segurou meu braço, me olhou seriamente e disse: por que você está fugindo? naquela hora eu quis dizer muitas coisas, mas minha voz não saia de forma alguma, eu só saberia tocá-la, ou talvez nem saberia.

horas depois o seu namorado veio a mim, bravamente questionando: - você vai destruir todos os anos que eu vivi ao lado dela? não chegue perto dela, estou avisando, nem ouse estar perto dela. naquele momento eu entendi o seu lado, e triste, respondi: - eu não vou estar perto dela, você pode ficar tranquilo.

era como se o mundo inteiro estivesse conspirando para manter os nossos olhares separados, mas mesmo assim, ela encontrou um modo de se comunicar comigo. uma amiga dela serviu de correio para nós, passando vários recadinhos ao longo daquela noite inesquecível. god! como tudo aquilo poderia ter acontecido em uma só noite? pensei.

ela dizia que eu não precisava ter medo, que desde o momento que cruzou seu olhar já sabia: algumas coisas estavam destinadas a ser. eu disse, triste, que fugia por não querer causar problemas, mas que mentia pra si mesmo ao rejeitar essa proximidade. eu tentei ir embora, mas ela me pediu com carinho que eu não fosse.

passado um tempo, passado os recados, já às 4:20 da manhã, quando eu estava deitado na areia olhando as estrelas, ela chegou e deitou ao meu lado. segurando as minhas mãos, ela disse: don't leave the light on baby, i'll see you sometime maybe..

todos ao nosso redor nos julgaram. um amigo chegou perto de mim e disse: é verdade que você fez isso? e então disse sem medo: - sim, é verdade, e se pudesse, faria novamente.

cheguei a pensar: como pude resistir a essa grande paixão? nós estavámos sim, destinados a ser. algumas coisas estão destinadas a ser... então não deixe a luz acesa, querida, eu verei você algum dia...

A história foi realmente linda, intensa, romântica, proibida... mas doeu profundamente ter que abrir os olhos e ver que talvez aquilo não passasse de mais uma realidade intrapsíquica em um mundo colorido-dolorido ficcional.

22/07/2008

Cartas #1


Querida Annie,



Eu poderia começar isso de diversas formas, mas nada te faria chorar tanto quanto essas exatas palavras: Minhas noites com tortas Blueberry.

Não consigo enxergar as palavras, meus olhos ardem, meu nariz me incomoda. Mudei de posição só para poder te escrever um pouco, querida. Eu não sei quem você é, não sei o que você gostaria de ser, mas enquanto estou digitando essas palavras ao vento, finjo que você existe por um só momento, mesmo que em Havana, em Bolívia, em Japão, China, Austrália. Seja lá onde você estiver, meu bem.. por favor me ouça paulatinamente, eu preciso disso agora.

Lembro-me daquele dia quando você sentou na cadeira do bar em vermelho. Você estava realmente convencida que precisava me falar alguma coisa muito importante, e eu, comovido pela sua dispersão, tentei me concentrar para que você entendesse que eu estava sim, bastante apto a ouvir. Depois de muito olhar para mim, tocar meus lábios e me abraçar forte, você sussurrou no meu ouvido esquerdo: 'once i wanted to be the greatest'.

Poderia enumerar várias causas para esse sussurro, que tanto comoveu-me como um diabo, tanto que uma flor na janela me fez chorar. Não, eu não quis, meu bem, estar de alguma forma conectado à você por todos esses anos, mas os seus postais não negavam, os seus postais diziam: nossas letras queiam, burns like the sunset.

Não poderia explicar qualquer um dos nossos sentimentos, pois não entendia, jamais entenderia o que é estar conectado à alguém. Não entendia que o amor ultrapassaria anos, meses, dias, distâncias, épocas, se assim estivesse disposto a ultrapassar, resistir.

Não me importa que eu esteja aqui com meus olhos vermelhos.. talvez vítima de uma alergia, talvez vítima de uma música bonita ou talvez vítima do meu próprio coração. Não me importa que eu esteja aqui imaginando o quanto eu sinto sua falta, o quanto eu ligo pros bares te procurando, te pedindo por favor para voltar. Você não vai voltar porque você nunca veio, tento compreender e interiorizar para mim, como também não... Talvez eu não veja voltar aquela que eu conheci, mas sim uma nova pessoa, diferente daquela já quebrada ou com um quê de infinitude no olhar.

E assim você vai viajando pelo mundo, cortando arranhas-céus, se perdendo ao mesmo tempo que se encontrando. Você me ensinou a confiar, eu te ensinei a confiar.. "Eu poderia falar qualquer coisa a você...." Eu também poderia, tento dizer. Eu tenho todas as imagens na minha cabeça, todas as cenas, cores, gestos (...) Só resta que você venha para que tudo isso aconteça.

Apenas hoje eu vou te esperar na minha cama azul, vou tragar aquele cigarro, te oferecer mais uma torta Blueberry, beijar a sua boca com gosto doce e amável que você sempre teve, desde já, desde sempre. Talvez quando você voltar, quando cruzar essas ruas tão difíceis de serem atravessadas, eu estarei do outro lado, e te direi: 'you're always the greatest...'

20/07/2008

Post Secret

Acharia válido existir um PostSecret brasileiro. Dica.













Post Secret Francês





15/07/2008

2046

timing is everything

eu não vou começar outro texto falando do quanto eu posso ser desprezada, ignorada, mal amada, ou qualquer outra coisa. eu não vou discutir a metafísica dos meus sentimentos, eu não vou calcular teorias para ser feliz. eu não vou somar lágrimas. eu não vou culpar o mundo. eu não preciso abrir os olhos outra vez. o tempo é tudo, uma vez disseram. sim, o tempo é tudo.


sento-me aqui mais uma vez nesse lugar obscuro, coloco o teclado nas pernas (...) não penso em nada, minhas mãos apenas seguem a sincronia desses movimentos. sinto saudade daquela velha máquina de escrever, daquele cigarro nunca tragado, daquela noite nunca vivida. sinto saudade de qualquer coisa que agora nem sei o que é.

não encontro uma posição adequada para escrever. na verdade, a única coisa que eu gostaria era de não poder pensar em nada, não olhar nada, não ouvir nada, apenas deixar isso me levar, deixar esses sentimentos sairem de mim, transbordarem nesse pequeno local, nesse pequeno itinerário de nostalgias.

sinto vontade de ser caio fernando abreu, sinto vontade de ser clarice lispector, sinto vontade de ser um pouco bukowski, e tanto dostoievski, sinto vontade de ser qualquer um deles, e ao mesmo tempo não sinto vontade de nada. não quero ler, não quero escutar, não quero nem saber o que estou digitando nesse exato momento.

olho a janela e tudo que vejo são telhados. os verdes mesclam com os azuis, os pássaros voam sem ter para onde ir, sem pensar no caminho a seguir. de longe eles parecem felizes, mas nada se sabe sobre eles, além de sua simples fisiologia e anatomia.

eu queria poder pular essa janela, encontrar essas micropartículas infindáveis por aí, eu queria poder não precisar pensar em nada. eu queria ser ar, vento, chuva, ... eu queria ser todos os elementos e ao mesmo tempo não! eu não quero nada, acho indigno.

eu queria poder dizer para as pessoas devolverem os meus laços, queria poder estar só e não reclamar um segundo sequer que estou só, eu queria poder não pensar que sou talvez um emaranhado de mil pretos, cinzas, brancos, vermelhos, verdes, azuis (...)

eu queria poder não apertar o backspace, eu queria voltar no tempo e fumar meu cigarro em paz. eu não tenho cigarro, eu não sinto vontade e não me sinto confortável.

eu sou na verdade o que eu não sou, o que eu sou, o que dizem que eu não sou e o que dizem que eu sou. eu sou tudo isso e talvez não seja nada disso, porque palavras não caberiam e seria inexplicável por demais...

estou cansada de procurar atrás dessas portas, janelas, muros (...) estou cansada de brincar de esconde-esconde nessas florestas cinzas, estou cansada dos seus sentimentos, estou cansada dos meus sentimentos, estou cansada de precisar, de faltar, de não ter e de ter também.

estou desprezada como um cão sem osso, sozinha como um tinta sem par, perdida como um desviante viajante, estou aqui, estou lá, estou em todos os lugares, estou contigo, estou com ele, estou com ela.

não conceituo a minha vida, a minha orientação, os meus caminhos, os meus gostos, os meus amores. eu gosto do que em mim há no mundo, eu gosto do mundo e das cores e dos clichês e das palavras que me fazem continuar lúcida.

escrever é resistir. estou resistindo.

24/06/2008

coffee break



what's is going on?

cada vez mais longe. pretendo, com minha força, ou com a minha aparente força, continuar assim. onde isso vai me levar? pergunto. não sei. mas não quero mais doer em mim. não quero mais sentir. não quero mais me sentir vulnerável. eu quero que isso continue dessa maneira. eu não quero mais, eu não gosto mais, eu quero me sentir sozinha e não ter que gritar a sete portas que estou sim, sozinha..
que talvez sempre estive, mas não soube reconhecer. isso não se resume a escolhas, não é? eu espero que ninguém volte, há alguém aqui. por favor diga-me o porquê e quando, isso não é uma escolha.

eles podem sentir os seus mundos girando.
mas não girem ao meu redor.
eu nunca quis. eu não quero.