29/10/2007

Ando tão completa de vazios

Tão completa de vazios. *

* Meu eterno agradecimento ao meu inspirador, Caio F. Abreu.

Ando tão completa de vazios. Ando tão completa de tantas coisas, tantos lugares, tantos vazios. Esse tempo inteiro não percebia, mas estava mesmo interiorizando uma salvação, procurando alguma pessoa que pudesse enfim me salvar de todo esse lodo. Sim, sim, desde o primeiro momento sabia que era você. Cheguei após uma longa jornada - bombardeamentos de informações (o que chamam de aulas). In time you need to learn to love, ... Minhas lágrimas se confundem com esse gosto amargo de fracasso, essa coisa que chamam "dor-angústia". As pessoas têm uma eterna mania de intitular as coisas até certas palavras fazerem sentido. O que isso custa para mim, hein? Noites de insônia, lágrimas e aquele velho gosto eterno de fracasso? Eu só não compreendia o que estava sentindo, não conseguia chorar, não conseguia sentir coisa alguma, até me sentar nessa cadeira. É, vocês ainda não ouviram falar do romance da atualidade? Ninguém tem coragem de falar duras palavras face a face. As pessoas têm medo dos olhos, das lágrimas vistas, têm medo de serem vistas, de serem percebidas. Finalmente nós não somos ninguém. Sabe, antes de mais nada, antes de tudo isso, eu me neguei, neguei tudo o que eu fui para poder te amar. Para poder ter a oportunidade de amar. O que resta? Uma música, duas palavras, qualquer coisa sem sentido, ou com sentido: ah, eu não sinto o que eu costumava sentir. Você me manda uma carta qualquer, me diz que isso não significa que um dia me amou, que simplesmente não há como reverter a ordem natural das coisas. Que porra de ordem natural das coisas! Eu não dou a mínima para a porcaria da ordem natural das coisas. Você não sabe, mas eu realmente me anulei para poder te amar, você entende isso, você consegue me entender, você consegue me ler, ler esse documento de romance atual? Você não sabe que me machucou com essa droga de eu sei que não há mais nada o que fazer, que o que tem que ser feito já foi feito, eu não quero te ver, e me fala algumas duras palavras querendo que eu aceite tudo numa boa, que o mundo está aí para ser vivido, vai lá, caminha, tudo continua, tudo está bem, o tempo cura tudo, assim tu me deixas ir, eu te deixo ir, nos deixamos ir. E tudo se resume a quem é o culpado, quem errou mais ou menos, quem amou mais quem amou menos. Eu não ligo pros mais e menos desse romance atual, o que isso custou para você? Uma noite de sono? Uma lágrima? Os amigos dizem: ele não merece suas lágrimas; as amigas dizem: vai dar tudo certo, o tempo vai se encarregar de curar essa dor. O que eles sabem sobre a minha dor e minhas lágrimas? Por que não silenciar? Por que o silêncio nessas horas não é aceito? Sabe, eu assisti um filme antes de conectar ao MSN (novo local de términos de relacionamentos – tecnológico demais, não?). Se chama Geração Prozac. Não, eu sei que você não sabe de nada, você não tem a mínima idéia. Às vezes eu acordo e passo o dia inteiro pensando em alguma forma de exteriorizar essa minha dor. Se você soubesse. E sim, estamos tão fucked up. Essa geração de vazio, de tristeza, de mascaramento, de fingimento. Somos praticamente obrigados a nos sentirmos felizes para que as pessoas gostem da gente. So fucked up. Para os que não conseguem, há uma lojinha muito bem conceituada chamada farmácia. É praticamente um supermercado, você faz sua listinha e compra os produtos. Você compra estabilidade, felicidade, calma, paciência. Hoje em dia você compra praticamente tudo, só basta ter dinheiro em cash. Você compra também uma mascara para você, sabe? Daqui alguns anos você vai até poder comprar um sonho lúcido, you know? Você quer escutar uma coisa realmente bonita? Eu não pularia. Sabe aquele outro filme, vanilla sky? Não, eu não pularia. Eu viveria em um sonho lúcido com você. Eu queria acordar ao seu lado, dormir ao seu lado, tomar café ao seu lado, viver ao seu lado. Queria construir o meu porto-seguro, a minha felicidade, e todas aquelas outras coisas que elevam a seretonina (vulgo hormônio da alegria, do amor?). Pode parecer bobagem, amor, mas eu viveria um sonho lúcido. Tamanha foi a minha anulação, a minha negação, fugiu do meu ego, sabe? E eu que achei que ninguém fosse me entender, mas o Caio me entendeu. Sim, o Fernando Abreu. Ele soube expressar tudo o que eu queria dizer algum dia, ou para mim, ou para você, ou para eles - os outros. E ele disse: é caro amigo, já dizia o sábio F. Pessoa: o amor não consola nunca os núncares. Algo assim, não me recordo. Então agora, enfio o meu dedo na garganta, chafurdo com ferro essa dor, eu sei, você pode escapar, e eu... eu quero viver essa dor da forma mais intensa possível.

You so fucking special, i wish i was special...