31/10/2007

They stand to fight for nothing,

to show how stupid we’ve become,

[...] so close your eyes and stay away,

don’t believe your headlines,

they poisoned your minds everyday,

as some will say,

- your revolution is a joke.”

Nordeste açucareiro, nordeste sertanejo, nordeste de economia globalizada. Será que essas três palavras resumem o que o nordeste é? Ah, nordeste da monocultura: entregue aos grandes latifúndios, grandes secas, Deus quer que seja assim, e assim será. Nordeste sertanejo, marginalizado, fragilizado, submisso. Melhor seria o nordeste da economia globalizada? Com suas ilhas de inclusão, pólos de turismo, tudo tão bonito, temos que salvar o nordeste de toda essa fatalidade. Nor-destin-ação: uma síndrome fatalista, dominação social que impõe fatalidade na região, um modelamento classista da existência, uma ideologia de submissão. Estamos destinados a não sermos? Mas J. Cortázar disse que às vezes basta sermos. Nosso destino em ação? Somos obrigados a fugir para o Sudeste, tanto os sertanejos nordestinados, como o empresário, professor, estudante, profissional liberal? Somos mesmo nordestinados, tratados com indiferença e submissão? Cadê aquela palavra tão bem explorada pelos filósofos chamada liberdade? Eu sei, liberdade é um conceito muito subjetivista, cada um tem uma visão diferente. Talvez falte mesmo uma caminhada nordestina de libertação, uma superação do presentismo, um resgate da nossa memória histórica, talvez uma organização popular. Hoje em dia achamos tudo muito natural. Eles – os outros, poderiam achar que estou pregando um discurso muito fraternalista, mas o caminho da libertação só é possível através da fraternidade (saudações ao P. Freire). O conformismo só faz crescer o egoísmo. É possível reinvidicar o direito e a liberdade? Sabe, tem muita coisa errada, eu sei. Se não estivermos atentos passamos a fazer parte desse Brasil oficial, esse país de miséria e marginalização... E esse Brasil profundo, que não entramos em contato, talvez na esquina, na porta da nossa casa, e não, não entramos em contato. O grande problema do nosso país não é a fome, a pobreza, e sim a naturalidade de como enfrentamos isso no dia-a-dia. Só se entra em contato com esse Brasil profundo estando em convivência com ele, aprendendo. É preciso humildade, simplicidade, a fim de atingir uma práxis libertadora proposta por Paulo Freire. Qual a sua postura de classe? Nordestino, ou nordestinado?