Tão completa de vazios II
Tão distante. Estou em todos os lugares e ao mesmo tempo em nenhum. Escuto mas não ouço, estou tão distante. Estou dispersa, me perdi e não sei mais me achar. Só encontro esse papel, essa atmosfera, essa claridade, onde estou? Preciso me encontrar mas não sei onde estou, vem comigo procurar algum lugar mais calmo, longe dessa confusão.. É, pareço tão distante, so blue, maybe gray and white, black, estou longe, e distante, completa de vazios. Não quero estar aqui, quero ir embora agora, você vem comigo? So blue. Oh god! Procuro tanto, tanto, ah, se todas as pessoas do mundo soubessem o quanto eu sou carinhosa. É. Mas estou aqui – perdida, distante, vazia, dispersa, so blue, gray, black and white. Como se existisse só eu nesse lugar, eu quero ir embora agora, me deixa ir embora. Quero sair por aí gritando qualquer coisa, quero viver, mas o que é viver? Sobrevivo em meio a essas árvores, esse verde, essa vida, você não percebe? Eu preciso ir embora, me deixa ir? Preciso ir... essas cores não fazem mais sentido, essas pessoas não fazem mais sentido, nada mais faz sentido. Estou cansada, talvez seja isso. A insônia me mata, a esperança também. Ontem achei que a minha vida tinha salvação, mas errei, me acabei. Essas paredes não fazem mais sentido, parece que nada mais faz sentido, ah, uh! Que depressivo, nada mais faz sentido, ligarei para cvv e alugarei um ouvido de um idiota (ah, sobreviventes) falando ah-ah-ah-nada-faz-sentido-entende? Você me entende?
_______________________ pausa de mil compassos – continuação da aula
--- O que é arte para você? A professora me pergunta.
--- Ah, não sei, é cinema, é escrita, é literatura, é fotografia, é tudo que eu gosto, eu sobrevivo de arte.