Ingredientes do sucesso
1) Objetivo;
2) Estratégia;
3) Trabalho consistente;
4) Competência;
5) Bons amigos;
6) Visão de campeonato;
7) Suportar pressão;
8) Estudar muito;
9) Viver um dia de cada vez;
10) Pagar o preço.
Ao som de stereophonics,
Queria saber se tudo está resumido em “ingredientes do sucesso”. Pensamento positivo, pensamento negativo, atitude positiva, famosa SJC: Síndrome de Jesus Cristo. More you fly, more you risk, ... i’m just looking i’m not buying, keeping on smiling... Atenção estudantes de Psicologia! Agora as pessoas cobram que você seja a pessoa ideal, o próprio Jesus Cristo reencarnado: entenda as pessoas, seja compreensivo, praticamente ser o Santo em pessoa, sim, sim em qualquer deslize te falam: “Cadê a tua postura de psicóloga? Tu é uma psicóloga, tu não pode ser assim”. Ah, que profissãozinha mais complexa de se exercer, principalmente quando se está apenas estudando. Todas as vezes que as pessoas me indagam isso eu fico com uma eterna raiva dentro de mim. Primeiro, porque não acredito nessa história de ingredientes de sucesso, livros de auto-ajuda e o poder que colocam em cima de um psicólogo (eterno salvador de todas as coisas). É, como disse um dos autores críticos da Psicologia: ciência do aprisionamento, e não da libertação. Na verdade, não sei por que ainda estou estudando isso, mas tem inúmeras coisas que eu simplesmente condeno nas Ciências Psicológicas. Enfim, isso não vem ao caso, voltarei ao título inicial: ingredientes do sucesso. Acho engraçado porque minha mãe sempre vem com livros de auto-ajuda dizendo: isso vai te fazer melhorar, tua auto-estima é muito baixa. Acho bonito e até legal as pessoas acreditarem nessas porcarias de sucesso, auto-ajuda, objetivo, atitude, siga os dez passos e seja a pessoa ideal. Para mim essa é uma história parecida com um conto de fada: bonito e feliz, mas simplesmente irreal. Se fossem me perguntar que tipo de pessoa eu me enquadraria (nossa que palavra feia), eu facilmente diria: naquelas que são absurdamente sonhadoras. Sim, sonho demais, sonho tanto que às vezes saiu do universo real. Minhas últimas experiências sonhadoras não foram tão boas, acabei saindo demais da realidade e entrando demais no sonho. Eu me lembro como se fosse hoje a minha primeira terapia. É, para ser psicólogo você tem que fazer terapia, conhecer todo o mundo psicoterapeutico, you know? Ela tinha me dito que as pessoas devem se equilibrar: nem tanto realidade, nem tanto sonho, meio-termo. Oh god! Que coisa complicada é atingir esse meio termo, hein? Ou seja, se tornar uma pessoa equilibrada. Palavra bonita, né? Equilíbrio. Depois disso, estou realmente pensando em fazer alguma atividade terapêutica (prática alternativa) que vise essa equilibração: corpo e mente. Quem sabe biodança, quem sabe yoga, quem sabe acupuntura, qualquer coisa assim que me faça sentir mente sã. Quem sabe isso não dá certo? Confesso que já tentei muitas coisas na vida: desenhar, tocar violão, cantar, escrever, fotografar. Minha grande frustração foi não ter tido sucesso em nenhuma dessas coisas. Imagina só, cara, es una mierda. Meu primeiro desenho foi um desastre, lembro como hoje. Tentei desenhar o Mickey mouse aos 12 anos de idade, claro que saiu uma aberração mesmo. Minhas tentativas de violão foram durante longos anos. No começo não sabia tocar coisa alguma, depois fui treinando, treinando. Hoje confesso que toco alguma coisa, mas aquela coisa a que chamam “dom” eu não tenho (olha as pessoas intitulando coisas novamente). Cantar sempre foi a pior das coisas (empatado com desenhar). Minha voz simplesmente não me ajuda. Escrever é uma das poucas coisas que só me vem em determinadas épocas. Fotografar é o mesmo que escrever, duas fotos boas dentre cem super ruins. Um dia desses estava com uma amiga conversando sobre isso, e frustrada, eu disse: porra, como é que pode Deus não ter me dado nenhum dom? Aí ela me respondeu: você tem o dom da palavra. Realmente, fiquei imaginando depois... dom da palavra? Mas como assim? Ela: assim, ó, tem vezes que você sabe o que dizer na hora certa, aquela palavra é tudo que alguém gostaria de ouvir, que precisaria ouvir. Poxa, que bonito de imaginar que eu tenho isso. Ou seria o dom do silêncio, diria outra amiga. Palavra ou silêncio, silêncio da palavra, acorde e silêncio. Não sei, as pessoas acabam esquecendo rapidamente disso, porque palavras vão embora, silêncios passam, acordes ao vento são substituídos. Eu sei que tem algumas poucas pessoas (não conheço muitas), que não esquecem dessas pequenas coisas. Na verdade vivemos em um mundo extremamente substituidor: substituídos e substituidores. Eu queria ter nascido naquela época de efervescência revolucionária, tipo anos 60/70/80: ouvir rock’n’roll e fumar cigarros para conquistar garotos. Sim, aquilo que era época! Jeff Buckley, Cazuza.. ídolos incríveis, sentimentos incríveis. Andar de lambreta, usar biquíni de bolinha amarelinha, namorar na beira da praia, ir às ruas gritar: diretas já! É uma pena que tenha que viver nesse tempo de revolução preguiçosa, mas enfim... São só suaves lembranças de um outono passado, de uma garota que nem outono teve, que nem suave sentiu, que nem lembranças viveu....


